DOMINIQUE FAGET/AFP
DOMINIQUE FAGET/AFP

Partidos de direita vencem 1º turno de eleições locais na França

UMP, do ex-presidente Sarkozy, ficou com 32% dos votos ante 25% da Frete Nacional, de Marine Le Pen. Partido Socialista, do presidente François Hollande, obteve 22% dos votos

O Estado de S. Paulo

23 Março 2015 | 09h21

PARIS - A União por um Movimento Popular (UMP), partido conservador do ex-presidente da França Nicolas Sarkozy, venceu o primeiro turno das eleições locais no país, realizadas no domingo, desbancando a Frente Nacional (FN), partido de extrema direita de Marine Le Pen, e o Partido Socialista, do presidente François Hollande.

De acordo com o resultado oficial do Ministério do Interior, a UMP ficou com 32% dos votos, contra 25% da FN e 22% dos socialistas. O resultado indica que no próximo domingo, a maior parte dos locais onde houver segundo turno terá um confronto entre a UMP e a FN. A participação na eleição ficou em 50,2% - o voto era facultativo.

Sobre o bom desempenho de seu partido, Sarkozy afirmou que o triunfo "mostra o profundo desejo dos franceses de uma mudança clara". O ex-presidente disse também que seu partido não buscará "nenhum acordo" no segundo turno com a FN nos Departamentos nos quais nenhuma candidatura conseguiu 50% dos votos.

Para o ex-presidente, que comandou a França entre 2007 e 2012, o país se afastou da esquerda por suas "mentiras". Ele pediu aos eleitores da extrema direita para que confiem na UMP, já que a FN "não apresentará nada contra as dificuldades dos franceses". 

O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, comemorou o fato de a Frente Nacional não ter sido o partido mais votado nas eleições regionais, como apontavam as pesquisas prévias. Valls, que pediu a todos os franceses para que juntem forças contra a FN, manifestou sua satisfação por uma participação de eleitores maior do que o esperado. 

"Convoco todas as forças republicanas a bloquear a extrema direita", disse o primeiro-ministro em relação ao segundo turno, que será realizado no próximo domingo, 29. Para o chefe do governo socialista, "nada está decidido" e a "mobilização popular fará a diferença" no desempate onde ocorrer uma nova votação.

Valls classificou como "honroso" o resultado dos socialistas e ressaltou que "o total de votos da esquerda hoje equivale ao da direita". Por blocos eleitorais - soma dos votos de todos os partidos segundo sua afinidade ideológica -, a centro-direita ficaria com 38%, a esquerda chegaria a 37% e a extrema-direita teria 25%, segundo pesquisa divulgada pela rede "BFM TV".

O primeiro-ministro, porém, criticou Sarkozy por não pedir o voto contra a FN e também disse considerar a divisão da esquerda como causa do resultado ruim do Partido Socialista. "A posição de Sarkozy é de uma falta moral e política", afirmou Valls à rádio "RTL" nesta segunda-feira.

A resposta de Valls foi uma reação a declaração do ex-presidente de que seu partido não apoiará o candidato socialista nas circunscrições onde enfrenta no segundo turno um adversário da FN. Para o premiê, essa postura "não soluciona nenhum dos problemas que a UMP tem". O primeiro-ministro garantiu que onde o candidato da esquerda tiver ficado de fora seu partido pedirá que a população vote contra o FN.

Pouco depois da divulgação dos resultados oficiais, Le Pen felicitou seu próprio partido por superar o resultado nas eleições europeias de maio, quando conseguiu quase 25% dos votos. A líder da Frente Nacional também pediu que Valls apresente sua renúncia por entender que ele fracassou em sua campanha em favor do Partido Socialista.

"Valls deve escutar a mensagem das urnas e apresentar sua renúncia pelos maus resultados do Partido Socialista antes de pedir que votem na UMP ao invés da Frente Nacional", disse Le Pen em um pronunciamento para os meios de comunicação em alusão ao discurso anterior do primeiro-ministro.

Le Pen também aproveitou para criticar a "incitação ao ódio" contra a FN, que em sua opinião é feita pelo próprio governo francês e por alguns meios de comunicação.

O sistema de votação nas eleições regionais é inédito, por isso é difícil estabelecer uma comparação direta com votações anteriores. O deste ano reúne eleições cantonais e departamentais em razão de uma reforma administrativa aprovada em 2013. No de 2011, só se votava em metade dos departamentos. / EFE e AP

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