Partidos disputam apoio de independentes na Líbia

A perspectiva de uma vitória incontestável da coalizão moderada Aliança das Forças Nacionais (NFF) na eleição parlamentar da Líbia detonou uma corrida pelo apoio dos candidatos independentes, que somarão 60% do novo Congresso líbio. Ontem, o líder do partido Justiça e Construção, o braço político da Irmandade Muçulmana, convocou os independentes a formarem uma frente que lhes permita indicar o futuro primeiro-ministro. A manobra é uma resposta ao líder revolucionário Mahmoud Jibril, dado como o vencedor da votação.

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / TRÍPOLI, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2012 | 03h08

Os apelos aos independentes começaram no domingo, quando Jibril se recusou a declarar vitória e convocou todos os partidos e candidatos para um diálogo nacional para a formação de um governo de união. Ontem, Mohamed Sawan, líder do maior partido islâmico do país, recusou um governo de unidade e revelou a disputa entre moderados e religiosos pelo apoio dos independentes. Faissal Safi, responsável pelo programa econômico do partido islâmico, prevê uma disputa pelo apoio dos independentes nos próximos dias, enquanto a apuração segue no leste da capital. "Vamos ter um Congresso misto. Ninguém ainda pode afirmar quem será majoritário", disse Safi ao Estado.

Pelo recém-criado sistema eleitoral líbio, o Congresso terá 200 deputados. Eles serão escolhidos de duas formas: 80 pelo voto em um partido, ou seja, em uma lista fechada de candidatos apresentada pelas agremiações, e 120 entre candidatos independentes, sem filiação partidária.

O objetivo da Comissão Eleitoral é impedir que um partido alcance a maioria absoluta na eleição e se imponha como força política hegemônica no Legislativo.

As projeções do partido de Jibril, obtidas pelo Estado, indicam que os moderados esperam atingir entre 60% e 70% do total do voto em lista, somando entre 50% e 60% do total. Já o Justiça e Construção prevê entre 20% e 25% de eleitos pelas listas e teria de buscar o apoio dos independentes para reverter o resultado. Uma possibilidade é que os dois maiores partidos islamistas se associem para tentar enfrentar a coalizão moderada.

Em paralelo às eleições, a Líbia retomou ontem o julgamento do primeiro dos ex-membros do regime capturados após a queda de Muamar Kadafi. Abu Zaid Dorda é acusado de reprimir os levantes populares nas montanhas de Nefusa, no oeste do país, em 2011. Em abril, a Anistia Internacional denunciou as condições de prisão de ex-membros do regime e a precariedade da Justiça.

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