Partidos egípcios ameaçam boicotar eleições

Grupos de  todo o espectro ideológico pediram em declaração que junta militar altere lei eleitoral

TAMIM ELYAN, REUTERS

29 Setembro 2011 | 10h24

CAIRO - Partidos políticos de todo o espectro ideológico ameaçaram boicotar as próximas eleições no Egito, a partir de novembro, caso a junta militar que governa o país não altere a lei eleitoral.

A ameaça foi feita em uma declaração conjunta na noite de quarta-feira, 28, e alguns ativistas preparam protestos para a sexta-feira no Cairo, esperando atrair milhares de pessoas descontentes com os generais que assumiram o poder no lugar de Hosni Mubarak, derrubado por uma rebelião popular em fevereiro.

Alguns ativistas islâmicos, incluindo a poderosa Irmandade Muçulmana, disseram, no entanto, que não vão aderir ao protesto, preferindo dar tempo ao Exército para responder.

Os Estados Unidos também estão pressionando o governo provisório, dizendo que esperam uma revogação mais rápida das leis de emergência usadas por Mubarak para reprimir dissidentes. Os militares dizem que essas leis serão revogadas só em 2012.

Cerca de 60 grupos e partidos políticos, inclusive o braço político da Irmandade, deram prazo até domingo para que a junta militar atenda às suas exigências -- as quais incluem a adoção de uma lei que na prática impediria que políticos que apoiavam Mubarak disputem cargos públicos.

Do contrário, esses grupos prometem boicotar as eleições.

A junta militar disse na terça-feira que as eleições parlamentares serão realizadas em várias etapas, a partir de 28 de novembro, e disse que os candidatos poderão começar a se registrar em 12 de outubro.

Pelas regras aprovadas após a queda de Mubarak, as listas partidárias disputarão dois terços das vagas parlamentares, distribuídas regionalmente por representação proporcional. As demais vagas caberão a candidatos individuais, sem afiliação partidária, em disputas distritais.

Sayyd al Badawi, líder do partido Wafd, disse que todos os grupos políticos concordaram que os partidos deveriam poder apresentar candidatos também para as votações distritais.

A junta militar disse na semana passada que a lei de emergência vai continuar vigorando até junho de 2012, conforme um cronograma estabelecido por Mubarak na época em que ele, já acuado pelas manifestações, tentava se manter no poder.

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