Partidos paquistaneses continuam batalha contra charges

A principal aliança de partidos islâmicos no Paquistão decidiu manter os protestos contra a publicação de charges do profeta Maomé na Europa, em confronto com o governo de Islamabad, informaram nesta terça-feira os meios de comunicação locais.O Conselho Supremo da coalizão de seis partidos islâmicos Muttahida Majlis-e-Amal (MMA) divulgou nesta terça-feira seu programa de manifestações e comícios em todo o país. O chefe da coalizão, Qazi Hussain Ahmed, lembrou também que restam poucos dias para o término do atual governo.Maulana Fazlur Rehman, dirigente do MMA, anunciou aos jornalistas que seu grupo convocou um protesto para a próxima sexta-feira contra as ações policiais e as detenções de manifestantes no Paquistão. O MMA também convocou uma greve geral para o próximo dia 3 e um novo protesto para o mesmo dia nas ruas do país. Na cidade portuária de Karachi, a manifestação deste grupo foi convocada para 5 de março, enquanto na cidade de Lahore os protestos ocorrerão no dia 7.O Conselho do MMA voltará a reunir-se no dia 6 em Karachi para decidir sobre as medidas a serem tomadas.Na semana passada, o Executivo de Islamabad proibiu as manifestações na capital do país para garantir "a paz pública, a tranqüilidade, a harmonia e a segurança". Além disso, as autoridades paquistanesas puseram em prisão domiciliar Qazi Hussain Ahmad, impedindo-o de sair nos próximos 30 dias do escritório do grupo na cidade de Lahore.Outras 200 pessoas, entre elas 25 membros do MMA, foram detidas em Islamabad e Lahore, onde a polícia realizou operações em seminários islâmicos e residências de líderes religiosos e dirigentes políticos.Comércio fechado e novos protestosTambém nesta terça feira, comerciantes de Rawalpindi, cidade da região metropolitana de Islamabad, fecharam as portas de seus estabelecimentos em protesto contra a publicação de charges do profeta Maomé. "A manifestação foi muito bem sucedida, 100% das lojas estão fechadas", disse o vice-presidente da Câmara do Comércio e Indústria da cidade, Mushtaq Ali Shah, um dos responsáveis por organizar o locaute. Shah acrescentou que o comerciantes evitaram a realização de protestos de rua por temerem a depredação de suas propriedades. Há uma semana, eventos similares na cidade de Lahore resultaram em várias lojas queimadas pelos manifestantes. Na pequena cidade de Barwand, no sul do país, cerca de 2 mil pessoas ganharam as ruas com palavras e ordem como "morte a Dinamarca" e "morte a América". Alguns manifestantes queimaram bandeiras da Dinamarca, país em que as charges foram publicadas pela primeira vez. Embora esteja se posicionando contra as manifestações, o primeiro ministro paquistanês, Shaukat Aziz, disse nesta terça-feira que as charges poderão causar um "choque de civilizações". O pronunciamento aconteceu durante uma conferência islâmica. Mais tarde, Aziz se encontrou com o responsável pela organização do evento, Ekmeleddin Ihsanoglu. Para Ihsanoglu, a controvérsia entorno das charges é um indicativo de que os muçulmanos precisam das mesmas salvaguardas legais que protegem os judeus nos países eurpeus. Ele usou o caso do historiados britânico David Irving, condenado ontem a três anos de prisão na Áustria por negar o Holocausto.

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