REUTERS/Carlos Barria
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Partidos pequenos e presidente serão determinantes na eleição israelense

Pesquisas mostram atual premiê, Netanyahu, e seu principal adversário, Benny Gantz, muito próximos

Cristiano Dias, ENVIADO ESPECIAL AO GOLAN, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2019 | 05h00

GOLAN - Em nenhum outro lugar do mundo a política externa tem um peso eleitoral tão grande quanto em Israel. “A segurança nacional está sempre em jogo”, afirma Emmanuel Navon, cientista político da Universidade de Tel-Aviv. Por isso, o premiê Binyamin Netanyahu lançou uma ofensiva do charme.

Nos últimos dois meses, ele recebeu o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, o chanceler italiano, Franco Frattini, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, o presidente filipino, Rodrigo Duterte, além de ter viajado para posar ao lado de Donald Trump e de Vladimir Putin. “Na política israelense, é importante passar a imagem de que o país não está isolado”, explica Navon. 

Por isso, segundo ele, o esforço de Netanyahu parece ter sido recompensado. Seu partido, o Likud, cresceu nas últimas semanas e encostou no Azul e Branco, do general Benny Gantz, ex-comandante das Forças Armadas. 

A eleição desta terça-feira está polarizada entre Netanyahu e Gantz. Curiosamente, os dois ocupam uma faixa parecida do espectro político. No entanto, o partido do atual premiê, o Likud, está um pouco mais à direita e consegue arrastar os grupos religiosos. 

O Azul e Branco, legenda de Gantz, embora seja um partido de centro e conservador, conta com o apoio das forças de centro-esquerda, que se agarram a qualquer um que possa apear Netanyahu do cargo.

Segundo pesquisas, os dois teriam cerca de 50% dos votos – 25% para cada um –, o que renderia para cada lado aproximadamente 30 deputados no Parlamento de 120 cadeiras. O vencedor, portanto, depende da outra metade, fatiada entre vários partidos menores. 

Até agora, segundo sondagem da Universidade de Tel-Aviv, a coalizão chamada de “direita religiosa”, ligada a Netanyahu, obteria 65 cadeiras. A de centro-esquerda, de Gantz, ficaria com 55 deputados.

 

Mais dois fatores poderiam virar a eleição para um lado ou para o outro. O primeiro é a cláusula de barreira. Para entrar no Parlamento, é preciso ter 3,25% dos votos. Netanyahu e Gantz precisam dos pequenos partidos para formar um governo. Mas quase todos os nanicos correm risco de não superar a marca, o que dificulta a previsão. Por isso, os dois favoritos dependem de um bom desempenho de seus blocos políticos como um todo. 

Outro fator será a ação do presidente Reuven Rivlin. O cargo parece meramente decorativo no parlamentarismo israelense, mas uma de suas poucas funções relevantes é dirigir o processo de formação de governo. Em tese, após consultar todas as partes, ele determina quem terá a primeira chance de construir uma coalizão. Se a prerrogativa couber a Gantz, ele poderia atrair um ou dois partidos conservadores e se tornar primeiro-ministro. 

Netanyahu e Rivlin se odeiam. Na semana passada, Bibi acusou o presidente de estar “procurando uma desculpa” para dar ao rival a primeira chance de negociação. “Se Gantz obtiver quatro ou cinco deputados a mais, mesmo sendo o nosso grupo conservador majoritário, ele (Rivlin) usará isso como desculpa para dar-lhe a prerrogativa”, afirmou. Rivlin rebateu. “Esta é mais uma tentativa detestável de minar a confiança do povo na decisão do presidente após as eleições.”

 

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