Partidos pró-Ocidente buscam união em Kiev

Russos prometem reconhecer eleições de áreas separatistas que impediram votação parlamentar no domingo

O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2014 | 18h17

KIEV - Em uma eleição parlamentar de proporções históricas, os ucranianos reafirmaram no domingo o apoio aos ideais dos protestos de fevereiro na Praça Maidan e a inclinação ao Ocidente, ao mesmo tempo que rejeitaram partidos nacionalistas de extrema direita.

O resultado, com partidos políticos pró-Europa liderados pelo presidente Petro Poroshenko e o primeiro-ministro Arseni Yatseniuk ganhando o maior número de vagas no Parlamento, solidifica a autoridade de um governo que apesar de um firme apoio ocidental não tem conseguido suprimir um violento movimento separatista pró-Rússia ao longo da fronteira oriental da Ucrânia.

A votação foi impossível em muitas partes do leste do país, onde rebeldes pró-Russia fizeram valer a promessa de bloquear a eleição. A votação também não ocorreu na Crimeia, que foi anexada à Rússia em março. Como resultado, 27 dos 450 vagas no Parlamento – 12 na Crimeia e 15 no Leste da Ucrânia – continuarão vagos, pelo menos, inicialmente.

Com a apuração praticamente encerrada, a Frente Popular do primeiro-ministro Arseni Yatseniuk conquistou mais de 22% dos votos, ligeiramente à frente do bloco Poroshenko, com pouco mais de 21%, segundo a Justiça Eleitoral.

O partido de Poroshenko, no entanto, estava no caminho de vencer um grande número de disputas nos distritos individuais que completariam metade das 450 vagas do Parlamento, virtualmente garantindo que seria a força dominante em qualquer coalizão.

Numa indicação de que os ucranianos querem se afastar do seu passado comunista, nenhum candidato do Partido Comunista foi eleito. Em uma mensagem no Twitter Poroshenko notou que seria a primeira vez que os comunistas não seriam representados na legislatura ucraniana.

Rússia.O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse que a Rússia reconhecerá as eleições organizadas por separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia em 2 de novembro, apesar da oposição do governo ucraniano.

A Ucrânia realizou eleições parlamentares no domingo, mas não houve votação nos redutos rebeldes de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia.

Países ocidentais e o governo ucraniano já anunciaram que não reconhecerão essas eleições.

“As eleições nos territórios proclamados de repúblicas populares de Luhansk e Donetsk serão importantes do ponto de vista da legitimação do poder”, disse Lavrov./ NYT e REUTERS 

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