Partidos pró-Ocidente conquistam maioria no Parlamento em eleição

Partidos pró-Ocidente conquistam maioria no Parlamento em eleição

Presidente Poroshenko inicia conversas com coalizão, mas poder de influência da Rússia e situação no leste ucraniano preocupam

O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 11h40

KIEV - Partidos pró-Ocidente dominarão o Parlamento da Ucrânia após a eleição de domingo, que deu ao presidente Petro Poroshenko um mandato para encerrar o conflito separatista e tirar o país da órbita da Rússia em direção à Europa.

Poroshenko planejou começar conversas de coalizão nesta segunda-feira, 27, após pesquisas de boca de urna e resultados preliminares terem mostrado que a maioria dos grupos que barravam reformas legais e democráticas, exigidas pela União Europeia, havia sido removida do Parlamento na eleição de domingo.

No entanto, o presidente ainda enfrenta grandes problemas: a Rússia resiste às medidas de Kiev de um dia entrar para a União Europeia, o cessar-fogo no leste ucraniano ainda é muito frágil, com forças do governo combatendo separatistas pró-Rússia, e a economia está em má situação. 

O presidente russo, Vladimir Putin, ainda pode influenciar eventos, não apenas como o principal apoiador dos rebeldes no leste, mas também com o papel de Moscou no fornecimento de gás natural para a Ucrânia e UE.

Os resultados finais da votação nas listas partidárias e assentos únicos só serão conhecidos em alguns dias.

Poroshenko, com o próprio bloco e partidos liderados pelo aliado, o primeiro-ministro Arseni Yatseniuk, deve ser capaz de dominar o Parlamento. "A maioria dos eleitores foi a favor das forças políticas que apoiam o plano de paz do presidente e buscam uma solução política para a situação em Donbass”, disse Poroshenko pouco após o fechamento das urnas, referindo-se à região leste onde a luta havia sido a mais pesada.

O presidente, de 49 anos, deve continuar trabalhando próximo a Yatseniuk, que deve continuar como premiê para realizar conversas sensíveis com o Ocidente sobre a economia do país, prejudicada pela guerra.  

O governo de Kiev diz esperar por um modesto crescimento no ano que vem após uma queda estimada de 6% em 2014, mas o Banco Mundial acredita que a economia do país continuará encolhendo.

Poroshenko e seus aliados estão tentando restaurar a normalidade no país de 46 milhões de pessoas após o tumulto e a violência que começaram há um ano com manifestações populares contra o predecessor de Poroshenko, o ex-presidente Viktor Yanukovich, um político alinhado com Moscou.

Yanukovich foi deposto em fevereiro, em um episódio que a Rússia considerou um “golpe fascista”. Moscou respondeu ao ocupar e anexar a península da Crimeia, antes território ucraniano, e ao apoiar rebeliões separatistas nas regiões do leste.

Mais de 3.700 pessoas morreram nos combates, incluindo quase 300 passageiros de um avião comercial da Malásia que foi abatido, aparentemente por engano, enquanto sobrevoada a região do leste ucraniano, território dominado por rebeldes separatistas. / REUTERS

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