Passada a euforia, montenegrinos estão receosos com a nova condição

Para muitos montenegrinos a euforia da independência da Sérvia está sendo gradualmente substituída por um sentimento de receio. Durante semanas, o referendo foi o assunto dominante, com uma enxurrada de cartazes, anúncios de TV e comícios por todo o país. Agora, resta saber se o novo Estado irá conseguir prosperar por contra própria. O referendo de domingo, no qual 500 mil pessoas escolheram entre a separação da Sérvia ou a continuidade da união, foi um evento emocional e tenso. "Esperamos por este momento por tanto tempo. E agora?", afirma a vendedora Snezana Tutic. "Me sinto esgotada, mas feliz que tudo acabou", acrescenta. Segundo ela, o clima entre a população é de anti-clímax. "É estranho, está tudo diferente mas ao mesmo tempo nada mudou". A economista Zorka Bogetic, de 35 anos, afirma que votou pela independência na esperança de que a soberania pudesse melhorar a vida das pessoas. Ela espera que o novo país corresponda "a todas as expectativas" daqueles que depositaram confiança nele. Com o salário médio de US$ 250 por mês e uma taxa de desemprego de 30%, Montenegro é umas das ex-repúblicas iugoslavas mais pobres. Durante décadas, dependeu econômica e politicamente da Sérvia.Lentamente, as autoridades separatistas montenegrinas afrouxaram os laços com Belgrado. Alguns dizem que a Sérvia afetou o desenvolvimento de Montenegro. Muitos estão lutando para digerir a realidade de um novo país. Os montenegrinos esperam que o primeiro ministro Milo Djukanovic cumpra a promessa de que o país irá prosperar por conta própria. Cidadãos montenegrinos com parentes na Sérvia temem que as relações entre as repúblicas irmãs possa mudar para pior. "Estou desapontado com o resultado do referendo", disse Dragana Simanic, da cidade costeira de Herceg Novi. "O futuro é altamente imprevisível agora"."Deveríamos ter ficados juntos, era a única maneira de as coisas melhorarem", argumenta a cabeleireira Jovana Vojvodic, da capital Podgórica. "Veremos se Montenegro irá sobreviver como um Estado independente. Não acho que temos o potencial econômico para prosseguir", lamenta.

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