Passado ainda dói, diz filha de Salvador Allende

A filha do ex-presidente chileno Salvador Allende - deposto por Augusto Pinochet em 1973 -, Isabel Allende Bussi, disse que o passado não está superado no país, como sustenta a direita. Isabel foi eleita senadora pela coalizão de centro-esquerda Concertação no domingo. Em declarações ao jornal O Estado de S. Paulo, ela avaliou o bom desempenho da direita na eleição.

AE, Agencia Estado

15 de dezembro de 2009 | 08h43

"Houve um avanço relativo", disse. "É a primeira vez que eles (a direita) obtêm mais votos no primeiro turno. Mas Sebastián Piñera teve menos votos do que nas últimas eleições (no segundo turno de 2005 ele teve 47% dos votos). Eu estou confiante que as pessoas que nos apoiaram em algum momento e deixaram a Concertação nos apoiarão no segundo turno para não deixar a direita vencer."

Ela contesta a visão de Piñera, segundo a qual o país deve esquecer as feridas da ditadura. "Piñera diz isso porque precisa, mas a pergunta é se conseguiria dizer o mesmo olhando nos olhos de parentes de desaparecidos que ainda não sabem onde estão seus entes queridos. O passado é indispensável. Os povos não têm futuro se não são capazes de olhar para o seu passado, ter memória. Piñera não quer que a população se dê conta de que aqueles que o rodeiam são pessoas que apoiaram o golpe, que foram funcionários da ditadura quando se assassinou, se sequestrou, se degolou no Chile."

"Poucos na direita fizeram uma verdadeira autocrítica", afirma Isabel. "Poucos foram capazes de dizer ?erramos por causa das atrozes violações aos direitos humanos?. Piñera sim, mas os que estão ao seu lado não. Eles nunca foram capazes de pedir perdão. Nem de dizer que nunca mais no Chile ocorrerá algo parecido." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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