Uriel Sinai/The New York Times
Uriel Sinai/The New York Times

Passageira de 83 anos vence processo por discriminação contra companhia aérea israelense

Renee Rabinovitch, sobrevivente do Holocausto, decidiu processar a El-Al após comissária pedir que mudasse de assento a pedido de judeu ultraortodoxo

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2017 | 05h00

Uma passageira de 83 anos venceu ontem um processo contra a companhia aérea de Israel, a El-Al. Em dezembro de 2015, ela teve de trocar de assento em um voo da empresa a pedido de um passageiro judeu ultraortodoxo que rejeitava sentar a seu lado por ela ser mulher. O caso ocorreu em um voo da El-Al que ia de Nova York a Tel-Aviv. 

“É a primeira vez que um processo desse tipo é aberto em Israel, uma vez que incidentes similares já ocorreram em voos da companhia”, afirmou Anat Hoffman, presidente do Centro de Ação Religiosa de Israel (Irac).

A Irac, uma associação que defende o judaísmo reformado em Israel, constituiu a parte civil no processo e representou a passageira, Renee Rabinovitch, uma sobrevivente do Holocausto. A ação promovida pela Irac é parte de uma ampla batalha entre os direitos das mulheres e o pluralismo religioso em Israel contra os religiosos radicais que rejeitam sentar-se ao lado de mulheres em ônibus ou aviões.

Renee Rabinovitch – cuja família fugiu da ocupação nazista na Bélgica, em 1941, e viveu em Nova York, nos EUA – aceitou e trocou de lugar, mas apresentou queixa por discriminação contra a companhia aérea israelense. Os judeus ortodoxos praticam regras muito rígidas de separação entre homens e mulheres.

“Para mim, isso não foi pessoal”, declarou Rabinowitch ao jornal The New York Times. “Isso é intelectual, ideológico e legal. Pensei comigo mesma, aqui estou eu, uma mulher idosa, educada, que esteve em várias partes do mundo, e um rapaz agora vem decidir que eu não posso sentar ao lado dele? Por quê?”, questionou a idosa, que agora vive em Jerusalém.

Um tribunal israelense decidiu que “de nenhuma forma um membro da tripulação pode pedir a um passageiro, em razão de seu sexo, que troque de assento em um avião, pois isso constitui uma violação da lei que proíbe a discriminação”.

De acordo com o veredicto de ontem, a El-Al terá de realizar uma campanha educativa entre seus funcionários sobre o tema. A companhia aérea israelense também pagará uma pequena indenização (US$ 1.800). Renee, no entanto, afirma que o processo judicial não foi movido por dinheiro, mas sim para fazer a El-Al mudar sua política. E é exatamente isso que a companhia aérea será obrigada a fazer. 

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