Passageiros destroem trens na Grande Buenos Aires

Milhares de passageiros destruíram hoje dezenas de vagões e instalações das estações de trens dos municípios de Castelar e Merlo, na zona oeste da Grande Buenos Aires. O estopim da rebelião foram os consideráveis atrasos dos trens da linha ferroviária Sarmiento, que transporta 9 milhões de pessoas por mês. Os passageiros, furiosos, realizaram piquetes para bloquear a ferrovia e apedrejaram as estações. A polícia, que interveio duas horas após iniciada a rebelião, dispersou os manifestantes com balas de borracha e gás lacrimogêneo.A polícia deteve oito pessoas. Nos incidentes, oito passageiros (sete idosos e uma criança) foram feridos. Os incidentes começaram na estação de Castelar, quando os passageiros, irritados pelos atrasos, incendiaram os vagões de um trem. Uma hora depois começaram os incidentes em Merlo, onde os usuários apedrejaram a estação e os vagões. O comércio das estações também foi depredado. O chefe da Polícia da Província de Buenos Aires, Daniel Salcedo, negou que a rebelião foi causada pela insatisfação dos usuários. Segundo ele, os incidentes "não foram espontâneos". "Os autores foram grupos previamente organizados", afirmou. Nos últimos 18 anos, desde o início das privatizações do setor, o número de trens em funcionamento caiu em 80%. O total de quilômetros de ferrovias em uso caiu de 36 mil quilômetros em 1990 para apenas 14 mil quilômetros atualmente.ReclamaçõesOs passageiros reclamam das péssimas condições do sistema de transporte ferroviário que ligam os municípios da Grande Buenos Aires com a capital argentina. Os usuários afirmam que viajam diariamente em trens repletos de passageiros e que os atrasos são costumeiros. Eles também afirmam que a maioria dos vagões não conta com vidros nas janelas e que as poltronas estão semi-destruídas.Lideranças da oposição criticaram o governo da presidente Cristina Kirchner, que em vez de investir na malha ferroviária existente, prefere desenvolver o projeto de um trem-bala que unirá as cidades de Buenos Aires, Rosário e Córdoba.

ARIEL PALACIOS, Agencia Estado

04 de setembro de 2008 | 15h52

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