Passeata no Chile relembra vítimas da ditadura

Período de governo militar, que doi de 1973 a 1990, deixou cerca de 40 mil vítimas no país

Agência Estado

11 Setembro 2011 | 17h52

'Não deixem de me procurar', diz o cartaz em alusão aos desaparecidos

 

SANTIAGO - Milhares de pessoas participaram neste domingo, 11, de uma passeata em Santiago, no Chile, para relembrar as cerca de 40 mil vítimas da ditadura militar inaugurada no país após o golpe de 1973 e encerrada 17 anos depois. Em determinado momento, porém, a homenagem foi interrompida por conflitos entre pessoas encapuzadas e a polícia.

 

Os participantes da passeata, que foi convocada por uma ativista dos direitos humanos, partiram do centro da cidade e percorreram 32 quarteirões até o Memorial dos Presos Desaparecidos durante a ditadura. A marcha foi pacífica durante a maior parte do percurso, mas ao chegar ao memorial surgiram grupos de encapuzados que jogaram pedras, garrafas e bombas na polícia, que respondeu com jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo.

 

Ainda não há informações oficiais sobre os presos e feridos, mas se sabe que um policial foi atingido por uma pedra, um jornalista teve um ferimento na mão e um cavalo da polícia foi atacado com uma arma branca.

 

Há 38 anos, o presidente do Chile à época, Salvador Allende, e outros 40 assessores resistiam no palácio presidencial enquanto eram atacados pelo exército do próprio país com dois aviões Hawker Hunter que sobrevoaram nove vezes o edifício, lançando mísseis em sua direção e provocando um grande incêndio.

 

Quando estava prestes a ser capturado pelos golpistas, Allende mandou que seus assessores deixassem o local e se suicidou com um fuzil AK 47 que havia ganhado de presente de Fidel Castro. Começava assim a ditadura militar chilena, comandada por Augusto Pinochet, que assassinou 3.065 opositores e submeteu 36.948 pessoas a torturas ou à prisão por questões políticas, de acordo com dados oficiais divulgados em agosto. As informações são da Associated Press.

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