Passeatas no Peru ignoram estado de emergência

Aos gritos "vai cair, vai cair, o mentiroso vai cair", milhares de manifestantes marcharam pacificamente pelas ruas das principais cidades peruanas, em sinal de crítica aberta ao presidente Alejandro Toledo, e respondendo à convocação dos sindicatos e líderes políticos regionais para exigir a suspensão do estado de emergência, vigente no país desde a semana passada. A central sindical Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP) manteve a convocação dos protestos apesar dos pedidos de diversos setores políticos e sociais, incluindo a Igreja Católica, para que cancelasse as manifestações, que desafiam o estado de emergência.No centro de Lima, centenas de manifestantes se reuniram na Praça de 2 de Maio para ouvir o secretário-geral da CGTP, Juan José Gorriti, exigir mais uma vez a suspensão da medida de exceção - decretada por Toledo justamente para conter uma onda de protestos e greves que atingem, principalmente, o setor público.Gorriti reivindicou mudanças no gabinete de Toledo, com a saída, entre outros, do chefe do Conselho de Ministros, Luis Solari, e aumento salarial para os professores da rede pública, em greve há 25 dias. Em meio à tensão, mais de 10 mil policiais acompanharam de perto a manifestação na capital, que não obteve autorização oficial da prefeitura. No entanto, nenhum incidente grave foi registrado durante a passeata em direção ao Congresso.O ministro do Interior, Alberto Sanabria, afirmou em declarações à emissora de TV Canal N que as forças da ordem atuariam com "cuidado, mas com firmeza, para garantir a integridade dos cidadãos". Afirmou ainda que os dirigentes sindicais que convocaram a passeata seriam responsabilizados em caso de ocorrências violentas.

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