Passos de Teerã e Pyongyang vão dominar cúpula

Cenário: Mark Landler / NYT

O Estado de S.Paulo

26 Março 2012 | 03h01

A Coreia do Sul é a anfitriã da Cúpula de Segurança Nuclear que ocorre hoje e amanhã. Organizada pela primeira vez há dois anos por Barack Obama em Washington, seu objetivo é evitar que materiais nucleares perigosos como o urânio altamente enriquecido caiam nas mãos de grupos terroristas como a Al-Qaeda.

Por mais que os discursos oficiais sejam carregados de compromissos com o controle desse tipo de "material físsil", as ambições nucleares de Irã e Coreia do Norte dominarão as conversas nos bastidores, sendo também o tema central do encontro de Obama com líderes chineses e russos.

O espectro do lançamento de um míssil norte-coreano prejudicou uma abertura diplomática experimental ao novo líder do país, Kim Jong-un. Os EUA alertaram que o lançamento poria fim a um acordo americano de fornecimento de alimentos ao país, que precisa desesperadamente dessa ajuda.

Obama deve tratar do assunto com o presidente chinês Hu Jintao hoje. A China é a principal patrocinadora da Coreia do Norte, mas tem se mostrado cada vez mais impaciente diante da beligerância de seus clientes.

Os chineses apoiaram sanções contra Irã e Coreia do Norte, mas se juntaram à Rússia para vetar uma resolução das Nações Unidas pedindo mudanças políticas na Síria. Em reunião com o presidente Dmitri Medvedev, hoje, Obama terá uma oportunidade de renovar a pressão sobre os russos para que estes ajam em relação à Síria. Será a última reunião de Obama com Medvedev como presidente russo. Vladimir Putin, eleito este mês, vai representar a Rússia numa reunião do G-8 marcada para maio em Camp David.

Especialistas dizem que o retorno das tensões com a Coreia do Norte é um lembrete do quanto o país pode se revelar um negociante engenhoso. Dias depois de anunciar o lançamento do satélite, os norte-coreanos convidaram os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica a fazer uma visita às instalações do país. Isso pode deixar os EUA numa posição incômoda: se a Coreia do Norte for adiante no lançamento do satélite e o governo americano interromper o fornecimento de alimentos, Pyongyang terá pretexto para expulsar os inspetores e responsabilizar Washington. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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