Atef Safadi/EFE
Atef Safadi/EFE

Patologistas israelenses e palestinos discordam sobre causa da morte de ministro

Enquanto palestinos afirmam que político morreu após um golpe, israelenses culpam um problema cardíaco pelo óbito

Estadão Conteúdo

11 de dezembro de 2014 | 10h21

Patologistas israelenses e palestinos não chegaram a um acordo nesta quinta-feira a respeito da causa da morte do ministro palestino Ziad Abu Ain. Os palestinos dizem que a morte foi causada por um golpe, enquanto os israelenses dizem que problemas cardíacos prévios levaram o político à morte, pouco depois de um confronto com tropas israelenses durante um protesto na Cisjordânia.

Médicos israelenses afirmam que o ministro de 55 anos morreu em decorrência de uma obstrução na artéria coronária em razão de um sangramento arterial que pode ter sido causado por estresse.

Em antecipação aos protestos, que devem acontecer após o funeral de Abu Ain - previsto para esta quinta-feira -, o Exército israelense enviou reforços para a Cisjordânia. Mais cedo, dezenas de palestinos atiraram pedras contra tropas israelenses em Hebron, também na Cisjordânia.

Abu Ain morreu na quarta-feira, pouco depois dos confrontos. Imagens mostram que num determinado momento, um integrante da polícia de fronteira israelense pegou Abu Ain pela garganta e o empurrou. Os militares também lançaram gás lacrimogêneo durante o confronto.

Minutos depois da discussão, Abu Ain caiu no chão, segurando o peito. Ele recebeu os primeiros socorros no local e foi levado por colegas, mas morreu a caminho do hospital.

A autópsia foi realizada na noite de quarta-feira por patologistas palestinos, jordanianos e israelenses.

O patologista palestino Saber Aloul declarou que "a causa da morte foi um golpe e não causas naturais". O ministro palestino da Saúde, Jawad Awad, afirmou que "os resultados da autópsia mostram que os que mataram o mártir Ziad Abu Ain são as forças de ocupação israelenses".

Awad disse que os patologistas jordanianos também assinaram o relatório, mas os médicos israelenses postergaram a assinatura. O Ministério da Saúde de Israel disse que os médicos do país não assinaram porque trata-se de um relatório preliminar, e não final.

Os patologista israelenses Chen Kugel e Maya Furman disseram que Abu Ain tinha problemas cardíacos, o que incluía obstrução de 80% dos vasos sanguíneos de seu coração e que isso "fez com que ele se tornasse mais sensível ao estresse".

Em comunicado, os médicos afirmaram que a artéria coronária estava obstruída em razão de uma hemorragia sob uma camada de placa aterosclerótica e que esse sangramento pode ter sido causado por estresse. Os médicos disseram que uma leve hemorragia e pressão localizada foram encontrados em seu pescoço.

Abu Ain atuava na organização de protestos contra os assentamentos israelenses e a barreira de separação na Cisjordânia. Integrante do movimento Fatah, do qual o presidente palestino Mahmoud Abbas faz parte, Abu Ain passou vários anos em prisões israelenses. Ele foi detido nos Estados Unidos em 1979 e extraditado para Israel dois anos depois, segundo seu sobrinho, Baha Abu Ain. Em Israel, ele foi sentenciado à prisão perpétua por ser membro de uma célula que plantou uma bomba que matou dois israelenses. Abu Ain foi libertado em 1985 numa troca de prisioneiros.

Durante o segundo levante palestino, em 2002, ele passou um ano em prisão administrativa, sem ser julgado ou indiciado. /AP

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