Patriarca latino pede a Israel para buscar a paz

Cristãos palestinos celebraram hoje, no geral sozinhos, o Natal em Belém, já que dois anos de violência no Oriente Médio e tensões produzidas pela presença de tropas israelenses afugentaram os peregrinos estrangeiros. O patriarca latino Michel Sabbah, a maior autoridade católica romana na Terra Santa, disse a um pequeno número de fiéis presentes na missa desta manhã, na Igreja da Natividade, para não perderem a esperança, apesar do banho de sangue e das dificuldades. "Apesar das difíceis circunstâncias, ainda temos de manter a esperança com o amor de Deus e dizer esperançosamente que no ano que vem haverá um Natal melhor", declarou. "Todos nossos tempos difíceis serão seguidos por bons dias, se enfrentarmos nossos inimigos com amor". A missa foi um dos pontos altos de um Natal que, no geral, foi melancólico na cidade onde, segundo a tradição, nasceu Jesus - o primeiro Natal, desde 1994, em que a cidade está sob controle israelense. Protestando contra a ocupação de Israel, que ocorreu depois que um palestino da cidade promoveu um atentado suicida a bomba em Jerusalém, líderes de Belém cancelaram as festividades de Natal, mantendo apenas as cerimônias religiosas. Boutrus Akleh, 32 anos, disse que seus três filhos praticamente não receberam presentes neste ano porque ele não tinha recursos para comprá-los. A economia palestina entrou em colapso desde que a intifada teve início há 26 meses, com milhares de pessoas perdendo o emprego e companhias sendo forçadas a fechar. "Continuamos a rezar a Jesus para que nos ajude a pôr fim a esses tempos difíceis e diminuir o sofrimento do povo", disse Akleh. "Desejamos que o senhor Jesus nos ajude a acabar com essa tragédia e traga paz e estabilidade para Belém". Soldados israelenses saíram na véspera de Natal da Praça da Manjedoura, em frente à Igreja da Natividade, construída sobre a gruta onde teria nascido Jesus. Os militares se reposicionaram em postos de checagem nos arredores da cidade, onde soldados examinavam cada veículo que entrava. Mas a presença israelense foi notada indiretamente dentro da Igreja Santa Catarina, perto da Igreja da Natividade, durante a Missa do Galo. Pelo segundo ano seguido, Israel impediu que Yasser Arafat comparecesse, acusando-o de não ter feito nada para evitar ataques contra israelenses. Uma cadeira vazia sobre a qual havia pousado um keffieh marcava a ausência do líder palestino. Arafat, um muçulmano, participava regularmente da missa desde 1995, o ano em que Israel entregou Belém e a maior parte da Cisjordânia à recém-criada Autoridade Palestina, conforme acordos provisórios de paz. O líder palestino está praticamente ilhado há um ano em seu QG na cidade de Ramallah, com Israel ameaçando não deixá-lo retornar caso se ausente. Depois que os sinos voltaram a tocar em Belém, o patriarca Sabbah rezou pela saúde de Arafat, apesar de ter repetido, em entrevistas, que Arafat e líderes israelenses deveriam se afastar, porque não são capazes de fazer a paz. No início de seu sermão, Sabbah disse: "Pedimos a Deus para dar a você (Arafat) sabedoria e força diante do cerco que enfrenta, para que se mantenha imperturbável na justiça e na paz". Sabbah afirmou que cabe a Israel tomar as iniciativas para acabar com o conflito no Oriente Médio. "Está nas mãos de vocês, e em seus corações, a capacidade de parar tudo em forma de violência e terror", afirmou. Ele pediu aos israelenses para "encontrarem líderes com uma visão de paz ou ajudar sua liderança a encontrar novas cabeças capazes de trazer a paz. Eles trarão a vocês a segurança que necessitam e, para os palestinos, os direitos e liberdades e segurança (que precisam)". Para os palestinos, ele afirmou que "o que é necessário é parar com a violência e o terrorismo", mas considerou que cabe a Israel dar os passos que levarão à redução das tensões. "Seus exércitos arrasam os palestinos, criando o ódio e o terror", advertiu.

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