Patriota diz que espera transição pacífica no Egito

Ministro das Relações Exteriores reforçou posição de nota divulgada pelo Itamaraty

Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado,

12 de fevereiro de 2011 | 20h45

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse ontem à noite em Nova York que espera uma transição pacífica para o Egito reforçando a nota divulgada mais cedo pelo Itamaraty. "Nosso desejo é de que as aspirações sejam levadas em consideração, que haja uma transição pacífica, que as liberdades civis e política da população sejam respeitadas. Estamos olhando atentamente para as repercussões internacionais dessa crise especialmente no Oriente Médio e sem dúvida há uma preocupação com a estabilidade da região. Esperamos que esses eventos contribuam para que país se torne mais democrático, estável e mais desenvolvido."

Ele discutiu com ministros da Índia, Alemanha e Japão, que formam com o Brasil o chamado G-4, a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a inclusão desses países no conselho. O encontro, ocorrido em Nova York, foi o segundo em seis meses. Conforme nota divulgada após o encontro, "os países do G-4 também reafirmaram sua visão da importância de que a África esteja representada na composição permanente de um conselho ampliado". Para os ministros, "o sistema internacional seria beneficiado com a expansão do Conselho de Segurança da ONU, o que asseguraria que o conselho refletisse verdadeiramente as realidades geopolíticas atuais, tornando-o mais forte, representativo, legítimo, efetivo e eficiente. O G-4 deve voltar a se encontrar no próximo trimestre.

Patriota chegou na quinta-feira em Nova York e neste sábado viajaria para o Haiti para acompanhar o processo eleitoral. Ele presidiu ontem debate no Conselho de Segurança e foi no momento em que ocorria o debate que foi anunciada a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak. Ministros de vários países falaram com jornalistas logo após a reunião do conselho para comentar a queda de Mubarak. Patriota saiu da ONU sem falar com jornalistas e logo depois o Itamaraty divulgou nota oficial sobre episódio.

Na coletiva concedida no final do dia a pelo menos 20 jornalistas brasileiros e estrangeiros, o chanceler falou por 12 minutos, mas evitou responder sobre o Egito. "A posição do governo está clara na nota oficial do Itamaraty, cuja divulgação coordenei junto com a presidenta. Ela me perguntou sobre as impressões que havia colhido aqui em Nova York e mencionei que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, em suas manifestações públicas, encorajará os egípcios a operarem uma transição política que leve não só a eleições livres e diretas a médio prazo, mas também a um governo civil do Egito", disse após almoço com os 15 ministros do conselho em um clube privado em Manhattan.

Segundo o chanceler, as conversas durante o almoço giraram em torno de Tunísia, Egito, Iêmen e a relação entre Israel e Palestina. "É claro que a frustração da juventude em países como Tunísia e Egito se relaciona com o impasse na situação Israel-Palestina, que se prolonga em muitos anos, com ausência de progresso. É uma fonte de frustração também para o governo brasileiro, que recentemente reconheceu o Estado Palestino", disse. "Durante o almoço houve uma forte pressão, um forte apoio, para a retomada da negociação do processo de paz. E que este movimento por mais liberdade e maior participação política no mundo árabe seja vista como uma oportunidade para a construção da paz no Oriente Médio", acrescentou.

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