Patriota diz que há 'expectativa razoável' de melhoras na Síria

Para chanceler brasileiro, postura do país parece estar mudando, apesar do ceticismo

Lisandra Paraguassu, da Agência Estado

12 de agosto de 2011 | 16h58

BRASÍLIA - O Brasil ainda espera sinais de mudança do governo da Síria a respeito da violência contra manifestações no país, mas o chanceler brasileiro, Antonio de Aguiar Patriota, acredita que o "estado de espírito" em Damasco pode finalmente estar mudando, apesar de alertar que a situação deve ser encarada com certo ceticismo.

 

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"Há uma expectativa razoável que a situação melhore, que haja eleições parlamentares no final do ano, reformas constitucionais e eleições presidenciais livres em 2012", afirmou o ministro.

 

 

Na quinta, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, voltou a cobrar mais sanções da comunidade internacional contra a Síria e acusou o presidente Bashar Assad de não ter mais legitimidade. Nesta sexta, americana pediu um boicote ao setor de óleo e gás de Damasco, o que seria uma medida efetiva para pressionar o regime.

 

 

Patriota, que foi um dos articuladores da missão de Índia, Brasil e África do Sul que esteve na Síria na semana passada, afirmou que a pressão internacional contra o país não é negativa e pode ajudar a que as reformas prometidas por Assad sejam finalmente implantadas.

 

No entanto, o diplomata deixou claro que o Brasil não vai apoiar ou tomar a iniciativa de impor sanções por conta própria. "As sanções são um assunto para o Conselho de Segurança das Nações Unidas", afirmou.

 

Na quarta, um grupo formado pelo subsecretário-geral para a África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Paulo Cordeiro, e representantes da África do Sul e da Índia, reuniu-se com Assad em Damasco. Os diplomatas cobraram garantias das liberdades civis e também as reformas que o ditador sírio vem prometendo.

 

Assad teria reconhecido os excessos das suas forças de segurança e prometido eleições gerais. Ainda assim, ao analisar o encontro, Patriota afirmou que as promessas precisavam ser vistas com "cautela e ceticismo", já que, até agora, o governo sírio não cumpriu nada do que disse.

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