Patriota evita falar sobre Egito em entrevista em NY

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, evitou comentar sobre a queda do presidente do Egito, Hosni Mubarak, em entrevista coletiva a correspondentes brasileiros e jornalistas estrangeiros em Nova York, em um clube privado onde participou de almoço com ministros dos 15 países que compõem o Conselho de Segurança das Nações Unidas e com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Antes, se negou a falar com a imprensa, mostrando um estilo de poucas palavras, que parece ser a marca do governo de Dilma Rousseff.

LUCIANA ANTONELLO XAVIER, Agência Estado

11 de fevereiro de 2011 | 21h05

Em uma entrevista de 12 minutos, Patriota disse que conversou na tarde de hoje com Dilma para coordenar o que seria escrito na nota oficial que foi divulgada pelo Itamaraty. Ele afirmou também que passou para a presidente as impressões colhidas em Nova York sobre a renúncia de Mubarak. Entre elas, os comentários feitos por Ban Ki-moon, de que ele encorajará egípcios a levar adiante eleições livres que levem a um governo civil no Egito. Perguntando se poderia comentar mais sobre a situação do Egito, o ministro afirmou que o que o governo tinha a dizer havia sido informado na nota oficial.

Além da nota, o assessor de assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse que o governo espera que a transição política no Egito ocorra sem derramamento de sangue e sem violações aos direitos humanos. Ele afirmou que a queda de Mubarak foi "uma vitória das ruas" e que o governo brasileiro viu com muita simpatia o movimento.

ONU

Na manhã de hoje, Patriota presidiu debate no Conselho de Segurança, em Nova York, presidido por ele. Patriota chegou ontem à cidade e amanhã viaja para o Haiti para acompanhar o processo eleitoral no país. No Conselho de Segurança, os ministros discutiram o tema "Manutenção da paz e segurança internacionais: a interdependência entre segurança e desenvolvimento". "Estamos convictos de que estratégias puramente militares ou de segurança por si só não serão capazes de lidar de forma adequada com a vasta maioria das situações de conflito no mundo de hoje", disse Patriota, durante seu discurso no Conselho.

Ontem, o ministro esteve em encontro fechado no Council on Foreign Relations, onde respondeu a perguntas sobre relações bilaterais Brasil-EUA e direitos humanos. O detalhamento do encontro, no entanto, não foi concedido à imprensa. Junto com Patriota, estavam personalidades, como o economista Albert Fishlow, além de diplomatas e alguns poucos jornalistas, como ex-correspondente do jornal The New York Times no Brasil Warren Hoge.

Ao longo deste mês, o Brasil irá presidir o Conselho de Segurança, sendo representado pela embaixadora Maria Luiza Viotti, que coordenará todos os trabalhos no Conselho, além de poder convocar qualquer sessão extraordinária. A última vez que o Brasil presidiu o Conselho foi em março de 2005.

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