Patriota minimiza espionagem dos EUA na ONU

Chanceler diz que não era preciso muito esforço para saber como o Brasil votaria no Conselho de Segurança em sessão sobre sanções ao Irã, em 2010

DÉBORA ÁLVARES , BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2013 | 02h11

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, minimizou ontem a importância do caso de espionagem publicado no fim de semana pela revista Época. De acordo com a reportagem, os EUA espionaram integrantes do Conselho de Segurança da ONU, entre eles o Brasil, para saber como seriam seus votos em uma sessão sobre sanções ao Irã, em 2010. "Não chega a ser um segredo que exija um aparato de alta sofisticação você descobrir como é que um país vai votar no Conselho de Segurança", disse o chanceler.

"Por uma ação diplomática perfeitamente lícita e permitida, que é mesmo da essência do nosso trabalho como diplomata, você pode muito bem, através de contatos com diferentes missões, interlocutores, jornalistas, entre outros, ficar sabendo qual é mais ou menos a orientação de cada país", afirmou o ministro brasileiro durante encontro com Hanna Tetteh, chanceler de Gana.

Patriota disse que esse tipo de suspeita é recorrente e lembrou de 2003, quando houve a intervenção militar no Iraque. "Surgiram várias notícias falando de espionagem nas missões do México e do Chile, que eram membros não permanentes do Conselho de Segurança naquela época."

Prioridade. Para o ministro, o caso é passado e há outros temas prioritários com sobre o assunto, com os quais o País precisa lidar no momento. "Estamos tratando de outros assuntos que nos preocupam de uma maneira mais direta, porque têm a ver com práticas que, aparentemente, estão ocorrendo enquanto nós conversamos aqui", afirmou Patriota, em referência à espionagem dos EUA a atividades na internet de cidadãos de várias nacionalidades, incluindo brasileiros.

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