Patriota nega estremecimento em relação com república islâmica

Brasil não deve procurar diplomacia de Teerã para pedir explicações sobre dura crítica feita por assessor de Ahmadinejad

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2012 | 03h08

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, negou ontem que haja estremecimento nas relações entre Brasil e Irã, apesar das duras declarações de Ali Akbar Javanfekr, porta-voz do presidente Mahmoud Ahmadinejad, ao jornal Folha de São Paulo. O chanceler garantiu que tem mantido contatos normais com os iranianos.

"Na reunião ministerial da OMC, recebi autoridades iranianas e identifiquei interesse numa boa relação comercial e política", afirmou. "Em Nova York, durante a Assembleia-Geral da ONU, mantive conversas com o chanceler (Ali Akbar Salehi), ele me telefonou depois para me cumprimentar pelo 7 de Setembro."

Javanfekr, que além de porta-voz pessoal de Ahmadinejad é diretor da agência estatal de notícias Irna, disse que a presidente Dilma Rousseff "destruiu toda a relação construída pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva".

Internamente, no Itamaraty, a política é a do silêncio. Como em outros ataques, a diplomacia brasileira prefere não alimentar controvérsias. O Brasil também não vai procurar Teerã para saber o porquê dos ataques.

As queixas iranianas sobre a posição do País no governo Dilma não são novas, mas nunca foram tão duras nem tão evidentes. Desde que Dilma, ainda recém-eleita, criticou a condenação à morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani - acusada de adultério e assassinato - abriu-se uma fissura no relacionamento. Depois disso, o País votou pelo envio de um relator da ONU para investigar a situação de direitos humanos no Irã. Além disso, Dilma não demonstrou até agora um interesse especial pelo Oriente Médio como seu antecessor.

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