Shawn Thew / EFE
Shawn Thew / EFE

Paul Manafort é acusado de entregar informações de campanha eleitoral aos russos

Segundo petição tornada pública por engano, ex-chefe de campanha de Trump supostamente compartilhou pesquisas eleitorais com empresário ligado à inteligência russa

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2019 | 03h06

WASHINGTON - O ex-chefe de campanha de Donald Trump, Paul Manafort, é acusado de compartilhar pesquisas e dados eleitorais com um empresário ligado à inteligência russa, informa uma petição apresentada pela defesa de Manafort e divulgada por engano nesta terça, 8. O documento apresenta mais uma possível evidência de conluio entre a campanha republicana e agentes russos durante as eleições presidenciais de 2016.

A petição foi divulgada por engano devido a um erro de formatação. A peça apresenta os argumentos dos advogados de Manafort contra as acusações de possíveis mentiras ditas pelo ex-chefe de campanha aos procuradores federais mesmo após aceitar cooperar com as investigações. A violação levou o procurador-especial, Robert Mueller, a anular a delação premiada do ex-chefe de campanha de Trump.

O documento revela que, ainda durante a campanha, Manafort e seu contato russo, Konstantin Kilimnik, discutiram um plano de paz para a Ucrânia. Nos primeiros meses da corrida presidencial até os primeiros dias de Trump na Casa Branca, a Rússia e seus aliados buscaram a aprovação de diversos planos para garantir uma solução ao país europeu para obter a revogação de sanções impostas ao Kremlin após a anexação da Crimeia.

A petição, no entanto, não indica se Trump estava ciente das conversas e dos repasses de informações entre Manafort e Kilimnik, mas entre março e agosto de 2016, quando Manafort já coordenava a campanha do magnata à presidência, a Rússia começou uma série de operações usando redes sociais, roubo de e-mails e outras táticas virtuais para impulsionar Trump, atacar Hillary Clinton e semear divisão em assuntos sensíveis, como questões raciais, armas e imigração.

A divulgação de pesquisas e informações eleitorais poderia ter ajudado agentes russos a definirem o tom das mensagens a serem compartilhadas e o público-alvo mais receptível a recebê-las e votar em Trump.

Tanto Manafort quanto Rick Gates, então vice-chefe de campanha, transferiram os dados a Kilimnik durante a primavera de 2016, mesmo período no qual Trump foi nomeado candidato republicano à presidência, informou uma fonte com conhecimento sobre o assunto ao jornal 'The New York Times'. A maioria das informações eram públicas, mas algumas foram produzidas por institutos de pesquisa privados contratados pela campanha republicana.

Segundo a fonte, as informações entregues a Kilimnik foram repassadas a Oleg Deripaska, um oligarga russo ligado ao Kremlin com quem Manafort tinha uma dívida por um negócio malsucedido. É incerto se Manafort agiu em prol dos interesses da campanha republica ou com motivações pessoais ao compartilhar os dados eleitorais.

Considerado um dos personagens russos mais importantes nas investigações sobre o suposto conluio, Kilimnik enfrenta acusações de corrupção de testemunhas ligadas ao caso Manafort. No entanto, por ser um cidadão e residente russo, o empresário dificilmente enfrentará julgamento. Kilimnik não respondeu aos pedidos de posicionamento sobre as acusações. /THE NEW YORK TIMES

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