Paulista que chega a Cumbica beija o chão

Os passageiros que chegaram neste sábado de manhã a São Paulo, vindos de Nova York, sentiram-se aliviados ao conseguir sair do epicentro dos ataques contra os Estados Unidos, que ocorreram na terça-feira.Cristiane Rodrigues da Silva, de 32 anos, beijou o chão ao desembarcar no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, depois de abraçar o filho Pedro, de 4 anos.Cristiane saiu nesta sexta-feira à noite do Aeroporto de Newark, no vôo CO 31, da Continental Airlines. "Era para eu estar no prédio naquele dia", conta a passageira, que iria tomar café-da-manhã no World Trade Center (WTC).Um grupo de brasileiros seria recepcionado no local, mas o programa foi cancelado na última hora.O vôo da Continental, com 120 brasileiros, foi o segundo a chegar à capital. O primeiro, da Varig, partiu de Nova York e chegou às 6h45, com 279 passageiros.Antes de embarcar em Newark, os passageiros tiveram de sair do aeroporto por pelo menos duas vezes, por causa de ameaças de bomba."Já tínhamos feito o check in quando tivemos de nos abaixar e sair, em seguida", descreve a estudante Carolina Gonçalves Lima, que ia neste sábado para Belo Horizonte.As modelos Mariana Weickert e Talytha Pugliese, ambas de 19 anos, recusaram-se a sair do lugar porque a ansiedade era grande para voltar ao Brasil. "A vida para eles (os terroristas) não é o limite", afirma Mariana para mostrar o medo que sentia.Morando a 4 quadras do WTC, a modelo só voltou uma vez para casa depois dos ataques e usou roupas emprestadas para viajar. "Parece que teve uma guerra e acabou o lado leste da cidade", descreveu.Segundo Georges Huteschinski, de 24 anos, que trabalha num hotel em Manhattan, o comandante do avião da Varig foi aplaudido várias vezes durante a viagem. "Vim relaxar um pouco. Espero que as coisas se acalmem por lá."No mesmo avião, chegou Donata Meireles, namorada do publicitário Nizan Guanaes. "Quem fez aquilo, pode fazer qualquer coisa", desabafou."Arrumamos as malas três vezes, mas as viagens eram sempre canceladas", conta Lourdes Farias Alves, que foi aos Estados Unidos passear com o marido Oldemar Alves.Para tentar voltar, o industrial Charles Tawil, de 59 anos, comprou passagens de três companhias diferentes, para ele e a mulher. "Perdeu a graça. Tive de voltar", disse, depois de explicar que viajou para ver o tenista Guga jogar.Libanês, ele diz que não sofreu represálias enquanto esteve em Nova York. "As pessoas percebem que os autores são grupos isolados.""Sinto-me bem. Não esperava tanta receptividade", disse o advogado José Roberto Opice, que tinha clientes no WTC. Segundo ele, Nova York está "sitiada".O cenário é bem diferente do início da década de setenta, conta Opice, quando ele viu a construção das duas torres gêmeas. "Vi tudo ruindo. A cidade está triste, em depressão", descreve. O filho de um amigo de Opice morreu no ataque."Fui uma das últimas a entrar no avião", explica a psicóloga Ana Maria Araújo. Quando o WTC foi atacado, ela ficou 45 minutas presa num trem do metrô. "Por mais violência que exista no Brasil, não tem terrorismo", resumiu.Também chegaram ao Brasil neste sábado o piloto Pedro Paulo Diniz e o ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida. Eles não quiseram falar com a imprensa.

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