Paulo VI pretendia excomungar Pinochet

O ex-ditador chileno Augusto Pinochet esteve a ponto de ser excomungado pelo papa Paulo VI. A informação foi revelada pelo cardeal chileno Juan Francisco Fresno, que antes de falecer, na última sexta-feira, deixou uma extensa entrevista à Universidade Finis Terrae para que fosse publicada depois de sua morte. Na entrevista, publicada hoje pelo jornal La Tercera, o cardeal contou que se encontrava em Roma em 11 de setembro de 1973, o dia do golpe que derrubou o presidente socialista Salvador Allende. Segundo Fresno, Paulo VI o mandou chamar para uma conversa sobre o que estava acontecendo no Chile. "O papa tinha um sentido político bastante forte, e via com horror a possibilidade de que fossem cortadas drasticamente as vias democráticas (no Chile) com o golpe dos militares". Em seguida, ainda segundo Fresno, Paulo VI disse que iria "assinar um ato de excomunhão dos militares que se meteram nisso". Fresno afirmou que se opôs taxativamente à excomunhão dos militares golpistas e que insistiu para que o pontífice aguardasse notícias do Chile, o que o papa, reticente, aceitou. Na mesma entrevista, Fresno afirmou que o assessor de Pinochet para questões religiosas, um advogado que havia trabalhado para a Marinha, Sergio Rillón, interpretava a Bíblia para o ex-ditador e dizia que ele estava "cumprindo uma missão divina". Pinochet se declara católico praticante e uma vez disse que a Virgem Maria o salvou de um atentado no qual morreram cinco de seus guarda-costas.

Agencia Estado,

17 Outubro 2004 | 14h29

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