Payroll fraco deve elevar aposta de alta tardia nos juros dos EUA

O fraco ritmo de criação de vagas em março nos Estados Unidos pode por fim às expectativas de alguns analistas e investidores de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) vai subir os juros no país em junho e aumentar as apostas em uma elevação em setembro ou mesmo dezembro, avalia o diretor e economista-chefe do Bank of Tokyo Mitsubishi, Christopher Rupkey.

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, CORRESPONDENTE, Estadão Conteúdo

03 de abril de 2015 | 15h29

"O relatório de emprego de hoje é tudo o que o Fed, que é dependente dos indicadores, precisa para adiar a alta de juros de junho para setembro. O mercado já vê chances iguais de elevação em setembro ou dezembro", afirma o economista em um email comentando os números divulgados nesta sexta-feira. Em março, foram criadas 126 mil vagas, abaixo dos 248 mil esperados pelo mercado, de acordo com os dados do Departamento de Trabalho no relatório de emprego (também chamado de payroll).

Rupkey avalia que a criação de vagas no mês passado foi fraca em vários setores, não se concentrando em um ou outro segmento. Os restaurantes, que costumam ser um dos que mais contratam, abriram apenas 9 mil vagas. O setor de construção cortou mil postos e o de petróleo e gás, 11 mil. Os números mostram tanto o impacto do inverno rigoroso como dos baixos preços do petróleo, ressalta o economista.

A surpresa do documento foi o aumento dos salários em um ritmo um pouco mais forte que o esperado, com alta de 0,3% em março, ante aumento de 0,1% em fevereiro. Rupkey esperava aumento de 0,2% em março. Nos 12 meses encerrados em março, o aumento é de 2,1%, número ainda considerado fraco perto da melhora do mercado nos últimos meses.

Apesar da piora em março, Rupkey ressalta que o mercado de trabalho nos EUA vem mostrando sinais claros de recuperação e os próximos documentos vão mostrar se março foi ou não um ponto fora da curva. Até fevereiro, foram 12 meses seguidos com criação de vagas acima de 200 mil postos, o que não acontecia desde 1977. Além disso, os pedidos de auxílio-desemprego vêm caindo para os menores níveis em 16 anos e a taxa de desemprego se aproxima do nível do pleno emprego.

"O payroll de hoje não é um sinal de que a economia está saindo dos trilhos", disse ele. "O mercado de trabalho deu um passo atrás hoje, mas números melhores podem estar a caminho", ressalta. Rupkey espera melhora da criação de vagas na medida em que a economia entra no segundo trimestre e os efeitos do inverno rigoroso e dos ajustes no setor de petróleo vão se dissipando.

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