EFE/ORLANDO BARRIA
EFE/ORLANDO BARRIA

Paz com guerrilhas desmobilizará até 30 mil pessoas na Colômbia, diz governo

Cálculo divulgado pela Agência Colombiana para a Reintegração inclui além dos combatentes das Farc a do ELN os membros de grupos que fornecem apoio aos guerrilheiros

O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 11h59

BOGOTÁ - A Agência Colombiana para a Reintegração (ACR), entidade ligada à presidência do país, afirmou nesta sexta-feira, 25, que se o acordo de paz com as Farc e com a guerrilha do ELN for assinado, serão desmobilizadas até 30 mil pessoas entre combatentes e membros de grupos de apoio.

"Calculo que podemos estar falando de 20 mil a 30 mil pessoas se todas as estruturas (das Farc e do ELN) entrarem em um processo de paz, se todas as estruturas deixarem as armas, e os grupos passarem para uma transição social, política e econômica", disse o diretor da ACR, Joshua Mitrotti, em entrevista à "Caracol Radio".

Segundo Mitrotti, o país demonstrou com outros processos que "é capaz de absorver um número muito maior de desmobilizados", como a dissolução em 2006 das paramilitares Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), através da qual também se desmobilizaram mais de 30 mil homens armados.

O diretor da ACR destacou que, segundo cálculos oficiais, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) têm entre 6.500 e 8.500 membros, e o Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda guerrilha do país, entre 2.000 e 4.000 soldados.

O resto do cálculo de desmobilizados corresponde aos grupos de apoio que não necessariamente estão armados.

As negociações de paz com as Farc, iniciado em novembro de 2012 em Havana, terminará até 23 de março de 2016, anunciaram na quarta-feira em Cuba o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o líder máximo da guerrilha, Rodrigo Londoño Echeverri, o "Timochenko".

Eles esperam até essa data resolver os dois pontos ainda pendentes para assinar o acordo de paz, referentes ao reconhecimento e à reparação das vítimas, e ao desarmamento e à desmobilização dos guerrilheiros.

Os dois lados também deverão finalizar os detalhes dos três pré-acordos já alcançados, sobre propriedade da terra, participação política e erradicação de cultivos ilícitos.

O ELN, por sua vez, mantém desde janeiro de 2014 diálogos exploratórios com o governo para abrir um processo de paz semelhante aos das Farc, mas neste caso os contatos acontecem no Equador.

O chefe máximo do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, conhecido como "Gabino", disse no último dia 9 em entrevista que falta concordar só "3%" da agenda para iniciar as negociações de paz, que analistas do conflito esperam que seja anunciada nas próximas semanas. / EFE

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