Paz com os palestinos é 'impossível', diz chanceler israelense

Lieberman diz que Israel deveria buscar um acordo 'menos ambicioso' e apenas provisório

Agência Estado

26 de dezembro de 2010 | 16h17

JERUSALÉM - A paz com os palestinos é "impossível" no momento e Israel deveria buscar um acordo menos ambicioso, declarou neste domingo, 26, o ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman.

 

Veja também:

especialInfográfico: As fronteiras da guerra no Oriente Médio

especial Linha do tempo: Idas e vindas das negociações de paz

 

Em um encontro com diplomatas israelenses, Lieberman defendeu que, em vez ambicionar um acordo pleno de paz, Israel limite-se a buscar um acordo provisório e de longo prazo que aborde apenas questões econômicas e de segurança. Os palestinos rejeitam consistentemente tal abordagem.

 

"Não se trata apenas de ser impossível" chegar a um acordo de paz pleno, declarou Lieberman. "Isso está simplesmente proibido". Lieberman alegou que o governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) na Cisjordânia é ilegítimo. O mandato do presidente da ANP, Mahmud Abbas, expira em janeiro, mas não há data para uma nova eleição e a perspectiva é de que ele acabe perpetuado indefinidamente no cargo.

 

A fala do chanceler israelense vem à tona em um momento no qual novos episódios de violência ocorrem na fronteira entre Israel e Gaza (soldados israelenses mataram dois palestinos na região hoje) e na esteira de uma série de reconhecimentos da Palestina como Estado independente por países sul-americanos.

 

O atual chanceler israelense é famoso por opiniões extremadas que nem sempre coincidem com as posições do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A assessoria de imprensa de Netanyahu não emitiu comentários sobre as palavras de Lieberman.

 

Reconhecimento

 

O ministro da Indústria e do Comércio de Israel, Benjamin Ben Eliezer, comentou hoje, ao defender a retomada das negociações de paz, que o "mundo inteiro" poderia vir a reconhecer um Estado palestino independente e soberano dentro de um ano.

 

A declaração de Ben Eliezer vem à tona apenas dois dias depois de o Equador ter-se transformado no mais recente país a reconhecer a Palestina como Estado independente, seguindo o passo de outros países sul-americanos. Antes do anúncio equatoriano, feito na última sexta-feira, Brasil, Argentina e Bolívia já haviam formalizado o reconhecimento ao Estado palestino; o Uruguai anunciou há alguns dias que fará o mesmo no início de 2011.

 

"Eu não ficaria surpreso se, dentro de um ano, todo o mundo, até mesmo os Estados Unidos, acabar por reconhecer o Estado palestino. E então nós teremos que explicar como isso aconteceu", disse Ben Eliezer a jornalistas antes de entrar para a reunião semanal do gabinete de governo de Israel.

 

O Estado judeu opõe-se a qualquer espécie de reconhecimento a um Estado palestino e insiste em que seu estabelecimento deve se dar por meio de negociações, e não por medidas unilaterais. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.