''Paz está acima da política partidária''

Entrevista - Giora Becher: novo embaixador de Israel no Brasil; para Becher, possível aproximação dos EUA com o Irã só se dará se Teerã abrir mão de ter armas nucleares

Roberto Lameirinhas, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

O sr. crê no avanço no diálogo com os palestinos, mesmo sob um governo israelense formado por partidos de ultradireita e religiosos?O objetivo da paz tem pouco a ver com partidos, mas é um desafio do povo israelense há 60 anos. Não há discordância na sociedade de Israel sobre a necessidade de paz - paz com segurança e justiça. As divergências são sobre o caminho a perseguir para alcançá-la. Por isso, não tenho dúvidas de que chegaremos a uma fórmula para desbloquear esse diálogo.Até que ponto Israel estaria disposto a ceder para obter um acordo definitivo com os palestinos?Há pontos sobre os quais evidentemente estaríamos prontos para fazer concessões para chegarmos à paz. Creio que tudo está sobre a mesa, mas não acho que seria oportuno, em meio a negociações, expor esses pontos antecipadamente. Já houve conversas antes sobre temas como os assentamentos da Cisjordânia, Jerusalém Oriental, etc. Israel pode voltar a conversar no futuro.O sr. acredita num acordo com a Síria em curto prazo?Ainda não sei bem o que pode significar a expressão "curto prazo" para nós. Para mim, esses últimos 60 anos foram um prazo curto (risos). Mas uma paz com a Síria deve passar necessariamente pelo fim do apoio a organizações terroristas, como o Hezbollah e o Hamas, que pregam a destruição de Israel e têm bases em Damasco. Mas acredito no sucesso de um processo de paz com a Síria, apesar de não saber quanto tempo ele pode durar.Como o sr. vê a disposição do governo dos EUA de abrir canais de diálogo com Irã e Síria?Bem, são coisas diferentes. No caso da Síria, apesar dos apoio que o país dá a grupos terroristas, nós estamos prontos para favorecer essa aproximação. Já no caso do Irã, o certo é que os EUA compartilham de nossa posição de que eles não podem ter armas nucleares. Qualquer aproximação deve levar isso em conta.Israel é o único país a ter um acordo comercial com o Mercosul. O sr. teme que a entrada da Venezuela no bloco complique esses laços?Espero que não. Nossas relações com o Mercosul sempre foram excelentes e os laços com a Venezuela, historicamente, sempre foram bons também. O que esperamos é que a política venezuelana para Israel mude (O presidente Hugo Chávez expulsou o embaixador israelense em resposta ao ataque à Faixa de Gaza, iniciado em dezembro). Nos preocupam os últimos ataques à comunidade judaica venezuelana e acreditamos que o discurso do presidente Chávez dá vigor a essas ações antissemitas.

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