Paz na Colômbia passa pela questão agrária, diz ONU

A Colômbia precisa solucionar o seu conflito agrário para alcançar a paz, segundo um relatório da ONU que recomenda ao governo medidas para que as terras fiquem em poder do setor produtivo, e não nas mãos de guerrilheiros e narcotraficantes.

LUIS JAIME ACOSTA, REUTERS

28 Setembro 2011 | 19h58

Uma guerra civil assola a Colômbia há quase 50 anos, com a participação de guerrilhas esquerdistas que dizem lutar pela reforma agrária e contra a pobreza e as desigualdades sociais.

"A obtenção da paz na Colômbia passa pela solução dos conflitos fundiários", disse o estudo intitulado "Colômbia Rural, Razões para a Esperança", publicado pelo Programa da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud, na sigla em inglês).

O texto entregue ao presidente Juan Manuel Santos alerta, no entanto, que a solução dos conflitos fundiários são uma "condição necessária, mas não suficiente" para a paz.

Segundo o estudo, 52 por cento das terras do país são latifúndios em poder de apenas 1,15 por cento dos proprietários rurais, enquanto os demais possuem apenas propriedades pequenas e médias.

De acordo com o Pnud, a Colômbia é um dos países com maior desigualdade fundiária no mundo. A entidade disse que há 6,5 milhões de hectares abandonados ou destruídos por causa do conflito, e que está evidente que quadrilhas de traficantes têm adquirido terras para ampliar seu poderio.

A pesquisa, realizada ao longo de dois anos, mostrou que 32 por cento dos 46 milhões de colombianos vivem em zonas rurais, mas que apenas 4,9 milhões dos 21,5 milhões de hectares cultiváveis estão efetivamente ocupados por lavouras. Isso explica a crescente importação de alimentos no país.

Já a pecuária utiliza 39,2 milhões de hectares, quando o ideal seria que ocupasse 21 milhões.

O texto também chama a atenção para o fato de que a mineração ocupa mais terras que a agricultura: 5,8 milhões de hectares. Os investimentos para o setor de minérios, gás e petróleo são um dos trunfos do governo para manter um crescimento econômico sustentável, de pelo menos 5 por cento ao ano.

O estudo recomenda ao governo que imponha impostos elevados sobre a propriedade fundiária, para desestimular a concentração de terras e onerar os terrenos improdutivos.

O Pnud destacou os esforços de Santos para devolver terras a camponeses desabrigados por paramilitares e guerrilheiros, mas advertiu que é necessário mais empenho.

"Os passos dados recentemente com o reconhecimento das vítimas e o esforço por restituir as terras são de um valor incalculável, mas apenas representam uma gota de suor frente ao esforço necessário", disse Bruno Moro, representante do Pnud no país.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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