PC chinês abre caminho para processar ex-líder

Partido Comunista cassou mandato de Bo Xilai, envolvido em um escândalo de assassinato e corrupção na cidade de Chongqing

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2012 | 03h06

O Congresso Nacional do Povo da China cassou ontem o mandato de Bo Xilai, ex-chefe da megacidade de Chongqing, abrindo caminho para seu julgamento sob acusação de corrupção e abuso de poder. A decisão foi anunciada a duas semanas da abertura do encontro do Partido Comunista que definirá a transição de poder para a futura geração de líderes chineses.

Antes de cair em desgraça, no início do ano, Bo era um dos fortes candidatos a uma vaga no órgão máximo de comando do país, o Comitê Permanente do Politburo. Atualmente, o organismo tem nove integrantes, mas o número poderá ser reduzido a sete durante o congresso, que tem início no dia 8.

Depois de assumir o comando de Chongqing, em 2007, Bo se transformou em um líder da esquerda do partido, com um misto de políticas populistas, fortalecimento da presença do Estado na economia e resgate de símbolos maoistas.

Filho de um herói revolucionário, Bo viu sua ascensão interrompida em fevereiro, quando seu ex-braço direito Wang Lijun se refugiou no Consulado dos Estados Unidos na cidade de Chengdu, capital de Sichuan.

Wang apresentou a diplomatas americanos provas da participação da mulher de Bo, Gu Kailai, no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, em novembro.

Bo foi expulso do partido no dia 28 de setembro. Segundo a agência de notícias Xinhua, a investigação revelou que ele recebeu propinas e teve relações sexuais "impróprias" com várias mulheres. O ex-dirigente também teria acobertado o crime cometido por sua mulher.

Gu Kailai foi condenada em agosto à pena de morte, com suspensão de dois anos. Depois desse período, a sentença deve ser comutada à prisão perpétua. Wang Lijun recebeu pena de 15 anos de prisão em setembro.

Não há dúvida de que Bo será condenado à prisão. O Judiciário chinês é controlado pelo partido e casos de caráter político são decididos antes do início do julgamento. O ex-líder não é visto em público desde março.

Na segunda-feira, um grupo de 300 pessoas ligadas à ala esquerda do partido divulgou carta aberta em defesa de Bo. Até mesmo ativistas de direitos humanos criticaram o fato de o réu não estar tendo o direito de se defender. Ironicamente, foi isso que ocorreu com centenas de vítimas da truculenta campanha de combate ao crime organizado que Bo promoveu em Chongqing, com a ajuda de Wang Lijun.

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