Pang Xinglei/Xinhua/AP
Pang Xinglei/Xinhua/AP

PC chinês encerra congresso e aprova troca de liderança

Atual geração abre caminho para o grupo que será chefiado por Xi Jinping e Li Keqiang, que devem ser 'eleitos' na quinta

Cláudia Trevisan, correspondente em Pequim,

14 de novembro de 2012 | 11h56

PEQUIM - O Partido Comunista da China encerrou nesta quarta-feira, 14, seu 18º congresso com a aprovação da mais ampla troca de seus comandantes em uma década. A atual geração de líderes se aposentou e abriu caminho para o grupo que será chefiado por Xi Jinping, 59, e Li Keqiang, 57, que devem ser "eleitos" na quinta-feira para o organismo máximo de chefia da organização, o Comitê Permanente do Politburo.

 

Os delegados do congresso elegeram os 376 integrantes do novo Comitê Central do Partido Comunista, que ditarão os rumos da segunda maior economia do mundo pelos próximos cinco anos, até o seguinte conclave da organização. Mas o poder estará concentrado nas mão de Xi, Li e dos demais integrantes do Comitê Permanente do Politburo, cuja composição deve ser reduzida de nove para sete pessoas. No modelo de gestão coletiva que vigora no partido, todas as decisões terão de ser negociadas dentro desse grupo.

 

Comissão militar

Xi será o novo secretário-geral do Partido Comunista, o cargo mais elevado na estrutura de poder da China, em substituição a Hu Jintao, que comandou a organização nos últimos dez anos. O modelo institucional chinês prevê que o novo líder conduza o país pela próxima década, com mudança de alguns dos coadjuvantes do governo dentro de cinco anos.

 

É possível que Xi também assuma amanhã a chefia da Comissão Central Militar, caso Hu Jintao decida deixar o posto imediatamente. Nesse caso, ele estará se afastando do precedente estabelecido por seu antecessor, Jiang Zemin, que permaneceu no comando das Forças Armadas no período de dois anos depois de transferir a liderança do partido a Hu Jintao.

 

A identidade dos 376 membros do novo Comitê Central foi revelada aos chineses no noticiário noturno da rede de TV estatal CCTV. O locutor da emissora leu a relação de nomes, ao mesmo tempo em que eles eram apresentados por escrito em uma tela vermelha ornamentada com o símbolo da foice e o martelo comunistas.

 

O atual presidente do Banco Central chinês, Zhou Xiaochuan, não foi reconduzido ao organismo, o que significa que a entidade ganhará um novo dirigente sob a nova gestão do país. O empresário Liang Wengen, fundador da fabricante de máquinas pesadas Sany, também ficou fora da lista. Homem mais rico da China, com uma fortuna estimada em US$ 11 bilhões, ele era considerado o primeiro representante do setor privado com chances de chegar ao Comitê Central do Partido Comunista.

 

As mulheres representam apenas 10 dos 205 membros com direito a voto do organismo, uma redução em relação às 13 que integravam o grupo de 204 cujo mandato chegou ao fim ontem. Os demais 171 integrantes do Comitê Central têm direito a voz, mas não votam.

Hu Jintao e Wen Jiabao continuarão nos cargos de presidente e primeiro-ministro da China até março, quando serão substituídos por Xi Jinping e Li Keqiang, respectivamente.  

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