PC reforça necessidade de fiscalizar líderes

Partido aprova emendas à Constituição que tentam combater casos de corrupção na alta cúpula de poder no país

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2012 | 02h07

O Partido Comunista chinês incluiu em sua Constituição a necessidade de reforçar a supervisão sobre seus principais líderes, em resposta a escândalos que atingiram a cúpula da organização desde o ano passado, em especial o que envolveu o ex-chefe da megacidade de Chongqing Bo Xilai.

Delegados do 18.º congresso, encerrado ontem, também decidiram que a Carta deve tratar sobre o processo de reforma e abertura econômicas como uma característica do desenvolvimento chinês. Outras emendas à Constituição contemplaram a importância da proteção ambiental e incluíram a Perspectiva Científica do Desenvolvimento, criada por Hu Jintao, entre os princípios que devem orientar a ação dos comunistas chineses.

Abertura. "Só a reforma e a abertura podem permitir que na China, o socialismo e o marxismo se desenvolvam", afirmou a resolução do congresso, que aprovou as mudanças na Carta. As propostas foram aclamadas por unanimidade pelos cerca de 2,3 mil delegados que ocuparam ontem o plenário do Grande Palácio do Povo, o edifício de arquitetura soviética localizado na Praça Tiananmen, coração político de Pequim.

Todos votaram favoravelmente em relação a três outros textos, entre os quais o relatório apresentado por Hu Jintao ao Comitê Central, que estava no poder até ontem. Lido pelo dirigente na abertura do congresso, no dia 8, o documento ressalta os riscos representados pela corrupção. De acordo com ele, o eventual fracasso no controle de irregularidades pode causar "o colapso do partido e a queda do Estado".

O escândalo que envolveu Bo Xilai revelou os privilégios dos quais desfrutam as famílias dos principais dirigentes chineses e as dificuldades da organização em controlar seus próprios integrantes.

A mulher de Bo Xilai, Gu Kailai, foi condenada à pena de morte - com suspensão de dois anos - pelo homicídio do empresário britânico Neil Heywood, que amanheceu morto em um hotel de Chongqing há um ano.

Até março, Bo Xilai era um dos 25 membros do Politburo e era considerado um forte candidato a ocupar uma das sete (ou nove) cadeiras do Comitê Permanente do organismo na atual transição de poder. Mas, com o escândalo, ele foi afastado dos cargos e, posteriormente, expulso do Partido Comunista. Agora, Bo Xilai aguarda julgamento sob a acusação de corrupção e de abuso de poder.

No início do ano passado, o país já havia presenciado a queda do ex-ministro das Ferrovias, Liu Zhijun. Depois de oito anos no cargo, ele foi afastado sob a suspeita de receber propinas de 800 milhões de yuans (cerca de R$ 260 milhões).

Punições. Entretanto, o texto aprovado pelos delegados reiterou o princípio de que cabe ao próprio partido fiscalizar seus membros. "Nós devemos reforçar nossa capacidade de autopurificação, autoaperfeiçoamento e autoinovação e construir o partido em uma organização marxista inovadora, orientada ao serviço." / C.T.

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