PDVSA diminui contribuição social

Queda de 42% nos gastos da estatal venezuelana de petróleo em programas populares é atribuída a baixa de 5,5% no lucro

CARACAS, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2013 | 02h06

A dois dias das eleições que avaliarão a aprovação dos quase oito meses de governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a estatal que controla a produção e a exportação de petróleo no país anunciou ontem uma contribuição social 42% mais baixa no primeiro semestre - relacionada a uma queda no faturamento da empresa. A diminuição é atribuída ao ajuste cambial que, em fevereiro, desvalorizou o bolívar.

Os dados da Petróleos de Venezuela (PDVSA) mostram que, no primeiro semestre, seus ganhos alcançaram a cifra de US$ 59,1 bilhões - quantia que, no mesmo período de 2012, chegou a US$ 62 bilhões.

Já a contribuição social da estatal caiu de US$ 12,6 bilhões entre janeiro e junho do ano passado para US$ 7,2 bilhões no mesmo período de 2013. Desse montante, US$ 4,6 bilhões foram destinados para os fundos que mantêm programas do governo para o setor - uma diminuição de 25% em relação ao primeiro semestre de 2012.

Segundo reportagem do jornal venezuelano El Universal, "o menor volume de barris comercializados e a queda no preço" do insumo causaram um impacto na PDVSA.

De acordo com a empresa, o valor médio do barril de petróleo exportado entre janeiro e junho foi de US$ 97,50, uma queda de 7,5% em relação ao ano passado, em que esse valor era de US$ 105,41. Houve diminuição também no volume de petróleo vendido pela Venezuela. No primeiro semestre de 2012, 2,5 milhões de barris foram exportados diariamente. No mesmo período este ano, foram 2,4 milhões de barris.

O lucro da PDVSA, porém, segundo as informações da estatal, aumentou, chegando a US$ 12,9 bilhões entre janeiro e junho. No ano passado, esse valor foi de US$ 2,09 bilhões no primeiro semestre. "Esse resultado foi pela flutuação do tipo de câmbio. Ainda que os ganhos tenham subido 517% nos primeiros seis meses, nós não esperamos um aumento significativo para o restante do ano", admitiu a petroleira venezuelana.

Liquidez. O Banco Central da Venezuela (BCV) anunciou ontem um aumento de 1,5 ponto porcentual no compulsório bancário no país, elevando-o a 20,5%, em uma tentativa de diminuir a quantidade de dinheiro em circulação para conter a inflação, estimada em cerca de 55% este ano.

Publicada ontem na Gazeta Oficial, a manobra valerá a partir da segunda-feira e, segundo um comunicado do BCV, tem como objetivo "moderar o ritmo de expansão monetária" e colaborar para "manter o crescimento econômico inclusivo e diminuir as pressões inflacionárias. / EFE

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