Lucas Marie/AP
Lucas Marie/AP

Peça encontrada no Índico é do Boeing que sumiu em 2014, confirma análise

Avião da Malaysia Airlines desapareceu com 239 a bordo; pedaço de asa que apareceu na costa da Ilha Reunião é avaliado por especialistas na França

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 19h42

Destroços encontrados na Ilha Reunião, no Oceano Índico, são do Boeing 777 que fazia o voo MH370 da Malaysia Airlines, desaparecido em 8 de março de 2014 com 239 pessoas a bordo. A revelação foi feita nesta quarta-feira, 5, após um dia de verificações realizadas no sul da França. Mesmo com a precaução do Ministério Público de Paris, que falou em “indícios muito fortes”, peritos e autoridades da Malásia confirmaram a hipótese. 

Trata-se da primeira confirmação de que parte do avião tenha sido encontrada em 17 meses de buscas e incertezas – e a primeira prova concreta de que o avião realmente caiu. A aeronave realizava o voo entre Kuala Lumpur e Pequim e seu desaparecimento era o maior mistério da aviação contemporânea. 

A peça encontrada estava sob análise desde a manhã na sede da Delegacia Geral de Armamentos e Técnicas Aeronáuticas (DGA-TA), um órgão de perícia situado em Balma, na região de Toulouse. 

No fim da manhã, os experts confirmaram que o “flaperon”, peça da asa determinante para o controle longitudinal da aeronave durante o voo em velocidade de cruzeiro, pertencia de fato a um Boeing modelo 777, uma informação que já havia sido antecipada.

No início da noite, uma entrevista coletiva foi convocada pelo Ministério Público de Paris para revelar as informações obtidas ao longo do dia. Em Kuala Lumpur, no entanto, o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, tomou a frente e fez o anúncio da confirmação.

 

“É com dor no coração que eu informo que uma equipe internacional de especialistas concluiu que o destroço localizado na Ilha Reunião provém efetivamente do voo MH370”, declarou o premiê. “Nós agora temos provas físicas de que o voo MH370 terminou sua trajetória tragicamente no sul do Oceano Índico.” 

Instantes depois, a companhia aérea responsável pelo voo, a Malaysia Airlines, publicou comunicado no qual lamentou a confirmação do desastre e prestou condolências às famílias de vítimas. “Esperamos que novos destroços ou objetos sejam encontrados a fim de fazer a investigação avançar”, afirmou a empresa.

Cautela. Em Paris, por outro lado, o procurador adjunto da República, Serge Mackowiak, foi mais prudente quando enfim realizou seu pronunciamento. Segundo a autoridade, “existem indícios muito fortes de que o flaperon encontrado em Reunião pertença de fato ao Boeing 777 do voo MH370 da Malaysia Airlines”. 

O pronunciamento do procurador reflete a habitual precaução das autoridades do Escritório de Investigação e Análise (BEA, na sigla em francês), órgão responsável pela apuração de causas de acidentes aéreos na França, cujos especialistas participaram do dia de trabalhos em Balma ao lado de um grupo internacional de técnicos da área.

 

Na opinião de peritos independentes, no entanto, a cautela é excessiva. Segundo Jean-Paul Troadec, ex-diretor do BEA que trabalhou durante a investigação do acidente com o voo AF447 da Air France, que fazia a ligação entre Rio de Janeiro e Paris, em 2009, a inscrição “657BB”, que identificava a peça localizada no Índico, já era suficiente para afirmar que se tratava de um pedaço do Boeing da Malaysia acidentado. 

“A descoberta de um número de série ou de manutenção já permite imediatamente identificar essa peça como proveniente do avião do voo MH370”, argumentou.

Próximos passos. A descoberta de um pedaço do Boeing 777 é o primeiro momento de um longo processo para detalhar o que efetivamente ocorreu com o MH370. 

A informação de hoje levanta apenas o primeiro dos mistérios sobre o destino trágico do voo, mas é crucial para a família de vítimas, que esperam notícias não apenas sobre o destino de seus próximos, mas também estão impedidos de realizar procedimentos burocráticos e solicitações de seguros vinculados aos passageiros em razão da falta de confirmação oficial do desastre. 

Sobre a investigação, restam ainda dúvidas sobre se, de fato, trata-se de um acidente ou de um atentado terrorista, em que momento do voo houve a queda do aparelho e qual foi o desenrolar dos acontecimentos que levaram ao desaparecimento misterioso da aeronave. 

É possível que uma parte das questões pendentes seja esclarecida a partir da localização e análise de mais destroços e também do percurso das correntes marítimas que levaram os objetos já encontrados à costa da Ilha Reunião.

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