Pecuaristas argentinos criticam governo De la Rúa

Pecuaristas argentinos estão irados com a lenta reação do governo ao aparecimento de focos de febre aftosa. "Teria sido melhor iniciar imediatamente a vacinação naqueles lugares onde ocorreram os focos", defendeu Juan Bullo, presidente da Associação Argentina de Criadores de Hereford. Os produtores começaram a registrar focos em diferentes regiões do país várias semanas antes da decisão, tomada na quarta-feira pelo governo, de retomar a vacinação. Autoridades argentinas parecem ter temido que a confirmação da ocorrência de focos e a admissão de que está havendo vacinação poderia ajudar a revogar a certificação do país na OIE como livre de aftosa sem vacinação. "Isso não é algo que se possa administrar por decretos ou leis. Esconder informação certamente não melhoraria a situação", enfatizou Bullo. "É um vírus aéreo e pode ser transmitido facilmente de um rebanho para outro. Eu acho que eles subestimaram os seus efeitos", disse Luciano Megeuns, vice-presidente da Sociedade Rural Argentina. O surgimento de focos de aftosa no ano passado custou à indústria de carne argentina cerca de US$ 140 milhões em perdas comerciais, animais abatidos e outras despesas, segundo estimam analistas de mercado. Os pecuaristas, no entanto, minimizam efeitos do embargo brasileiro, que proibiu a importação de gado vivo, material genético e carne com osso do país. Apenas US$ 2 milhões dos US$ 32 milhões de produtos derivados de carne que o Brasil importa da Argentina são de carne com osso.Segundo Megeuns, mais importante para os produtores locais é que Estados Unidos, Canadá e mercados emergentes da Ásia mantenham suas fronteiras abertas à carne argentina. Atualmente, enquanto o presidente do Senasa, Victor Machinea, excursiona pelos países vizinhos assegurando que o vírus está sob controle, o vice-presidente, Eduardo Greco, faz o mesmo no hemisfério norte, onde se encontrará com autoridades canadenses na sexta-feira com autoridades sanitárias norte-americandas na segunda-feira. O secretário de Agricultura Antonio Berhongaray, largamente criticado no tratamento que deu às ocorrências do ano passado, está novamente sob fogo por sua política de vacinação do gado por região, em vez de uma ofensiva mais abrangente para erradicar o vírus.

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