Pedidos de asilo de sírios, iraquianos e outros têm forte alta no Ocidente, diz ONU

Guerras na Síria e no Iraque, além da instabilidade em outras zonas de conflito, estão levando mais pessoas do que nunca a solicitar asilo em países ricos, com o número de pedidos aproximando-se em 2014 do maior nível em 20 anos, disse a agência para refugiados da Organização das Nações Unidas nesta sexta-feira.

STE, REUTERS

26 de setembro de 2014 | 11h37

Cerca de 330,7 mil pessoas tentaram obter o status de refugiado em 44 países industrializados no primeiro semestre deste ano, um aumento de cerca de 24 por cento diante do mesmo período de 2013, disse o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).

Caso essa tendência continue, o número de novos pedidos de asilo pode chegar a 700 mil em 2014, "a maior soma para países industrializados em 20 anos e um nível que não era observado desde o conflito na antiga Iugoslávia, nos anos 1990", diz a agência em um relatório.

"A comunidade internacional precisa preparar suas populações para a realidade de que, na ausência de resoluções para os conflitos, cada vez mais pessoas vão precisar de refúgio e cuidados pelos próximos meses e anos", disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, ex-premiê de Portugal.

Mais de dois terços de todos os pedidos de asilo nos primeiros seis meses deste ano foram protocolados em apenas seis países: Alemanha, Estados Unidos, França, Suécia, Turquia e Itália, na ordem de preferência, de acordo com a Acnur.

E mais de um em cada sete pedidos --48,9 mil-- foram feitos por sírios, duas vezes mais do que no mesmo período do ano passado.

Pela primeira vez desde 1999, a Alemanha recebeu o maior número de novos pedidos de asilo entre os países industrializados, 65,7 mil, a maioria devido ao crescimento das solicitações de sírios. O dado representa uma alta de 50 por cento em relação ao mesmo período de 2013.

Os 28 Estados membros da União Europeia (UE) registraram 216,3 mil pedidos, uma alta de 23 por cento na comparação com o primeiro semestre do ano passado, disse a agência.

Depois dos sírios, os iraquianos (21,3 mil) e os afegãos (19,3 mil) vêm em seguida como os que mais pediram refúgio no Ocidente, com a Turquia permanecendo o principal país de destino para essas duas nacionalidades.

O número de eritreus que buscam asilo atingiu "níveis sem precedentes" entre os 44 países industrializados, chegando a 18,5 mil, ou mais de três vezes o registrado em 2013.

"O crescimento relativo mais alto foi registrado entre os ucranianos, cujos pedidos de asilo aumentaram de 700 para 4,1 mil, refletindo o estouro do conflito", disse a Acnur.

(Reportagem de Stephanie Nebehay)

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