Konstantin Chernichkin/Reuters
Konstantin Chernichkin/Reuters

Pela 1ª vez, líder da Ucrânia fala em antecipar eleições

Convocação às urnas pode ser caminho para solucionar a crise, diz Yanukovich a aliados, mas anistia ainda é opção preferencial

Andrei Netto, Enviado Especial / Kiev - O Estado de S. Paulo,

04 de fevereiro de 2014 | 22h43

KIEV - Em mais um sinal de que está cedendo às pressões dos manifestantes nas ruas de Kiev, o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, disse na terça-feira, 4, a deputados de sua base de apoio que, se necessário, convocará eleições antecipadas para resolver a crise política.

A proposta seria a segunda medida na lista do chefe de Estado, após a anistia sob certas condições oferecida aos oposicionistas presos - cujo projeto de lei foi aprovado pelo Parlamento, mas ainda não entrou em vigor. A antecipação dos votos para presidente e para o Parlamento é a principal exigência do movimento "Euromaidan" - como foi batizada a Praça da Independência, centro da revolta ucraniana.

A revelação de que Yanukovich estuda a saída foi feita pelo deputado Yuri Mirochnitchenko. "O presidente disse que se os dirigentes políticos não conseguem chegar a um acordo, então a única forma democrática de resolver a situação será haver eleições antecipadas", relatou o parlamentar, que pertence ao Partido das Regiões, o mesmo de Yanukovich. A eventual decisão anteciparia as eleições presidenciais, marcadas para 2015, e as legislativas, previstas para 2017.

A primeira alternativa de Yanukovich é "anistiar os manifestantes presos em troca do esvaziamento de prédios públicos ocupados pelos oposicionistas", explicou Mirochnitchenko. Ele reforçou: "A segunda opção seriam eleições antecipadas". "Nós aprovamos a lei de anistia, mas, até aqui, ela não foi implementada", lembrou.

As declarações de Yanukovich teriam sido feitas em frente a um grupo de deputados da base de sustentação do governo. Ainda de acordo com Mirochnitchenko, o presidente não tem mais a intenção de dissolver à força o acampamento na Praça da Independência, no centro de Kiev.

A última ofensiva realizada pelas tropas de choque contra os acampamentos, no dia 22, ampliou para cinco o número de manifestantes mortos. "Nós temos os meios de liberar à força os prédios administrativos e até mesmo a praça, mas eu não o farei porque eles também são concidadãos", disse Yanukovich.

Apesar disso, as provocações e a "guerra fria" entre manifestantes e os agentes da Berkut, a temida tropa de choque ucraniana, estacionados nas imediações da Praça da Independência, continuaram. Na linha de frente, oposicionistas e policiais estão separados por cerca de 100 metros. Barricadas feitas com toneladas de sacos de areia, pneus, automóveis e ônibus incendiados isolam a área ocupada, evitando o avanço da tropa de choque.

Para o mais importante líder da oposição em liberdade, o campeão mundial de boxe Vitali Klitschko, os oposicionistas podem resistir pelo tempo que for necessário, mas o governo também tem condições políticas de resolver o impasse. "Os meios de sair (da crise) são a redistribuição do poder pelas autoridades", afirmou, ressaltando que seu grupo aceitaria ocupar o posto de primeiro-ministro, vago desde a terça-feira, após a renúncia de Mykola Azarov. A condição, porém, seria que todos os cargos-chave do governo fossem ocupados por reformistas.

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