Pela Flórida, McCain intensifica campanha de ofensas a Obama

Atrás nas pesquisas e em busca do voto operário em Estado-chave, republicano rotula rival de socialista e inexperiente

AP, AFP, Reuters e NYT, Washington, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2008 | 00h00

O republicano John McCain lançou ontem uma nova ofensiva para tentar diminuir a vantagem do democrata Barack Obama nas pesquisas. McCain voltou a qualificar o rival de "socialista", questionando sua experiência em política externa e segurança nacional e criticando seu plano econômico. Além disso, o republicano começou ontem um giro pela Flórida - Estado considerado fundamental para a eleição do dia 4. A onda de ataques do republicano coincidiu com os dois dias de folga que Obama tirou para visitar a avó doente no Havaí."Ele (Obama) está mais preocupado em dividir a riqueza do que criar um plano de impostos que resulte em empregos e em crescimento para nossa economia", afirmou McCain. "O senador Obama está mais preocupado em controlar quem recebe um pedaço da torta do que em fazer a torta crescer."As acusações de McCain referem-se às declarações que Obama fez quando defendeu sua proposta de aumentar os impostos sobre empresas que lucram mais de US$ 250 mil por ano. O democrata acredita que assim possa cortar impostos de quem ganha menos e melhorar a distribuição de renda nos EUA. Na noite de quarta-feira, McCain afirmou que os planos de Obama para a política externa americana poderiam encorajar os "inimigos dos EUA" a testar o novo presidente durante os primeiros dias de sua administração. Em entrevista ao programa The Situation Room, da CNN, o republicano garantiu que, se eleito, não haveria esse risco porque ele "já foi testado" diversas vezes. Obama respondeu aos ataques, afirmando que não conseguiria fazer uma campanha tão negativa como a que o republicano está fazendo.FLÓRIDADurante um comício de campanha na Flórida, McCain lançou seu tour, já intitulado "Joe, o encanador", com o objetivo de atrair o voto da classe operária e de eleitores que são contra o aumento de impostos. "Joe, o encanador" é como ficou conhecido o eleitor Joe Wurzelbacher da cidade de Toledo, em Ohio. Ele foi lançado à fama instantaneamente após perguntar a Obama como sua proposta de cobrança de impostos o ajudaria a comprar a microempresa em que trabalhou nos últimos anos. Depois desse encontro, o nome do encanador foi mencionado diversas vezes pelos dois candidatos durante o último debate presidencial, no dia 15.A visita de McCain à Flórida ocorre dois dias depois que Obama intensificou sua presença no Estado, que deu seus 27 votos no Colégio Eleitoral para o republicano George W. Bush nas eleições de 2000 e 2004. A Flórida tornou-se um território crucial para McCain. No entanto, a campanha de Obama gastou US$ 15 milhões a mais do que a de McCain em anúncios no Estado.PESQUISASUma pesquisa da Universidade Quinnipiac, divulgada ontem, deu a Obama a liderança na Flórida 5 pontos porcentuais à frente de McCain (49% a 44%). O último estudo realizado pela universidade, no início do mês, dava uma liderança de 8 pontos para o democrata (51% a 43%). O mesmo levantamento, contudo, dá vantagem a Obama nos Estados-chave da Pensilvânia (53% a 40%) e Ohio (52% a 38%).Uma outra pesquisa feita pelo instituto Big Ten Battleground Poll mostrou que Obama lidera em oito Estados do Meio-Oeste, inclusive em Indiana, que nas últimas eleições vinha sendo um reduto republicano.A pesquisa diária do jornal The Washington Post, feito em conjunto com a rede de TV ABC News, registrou 11 pontos de vantagem para Obama (54% a 43%). Já o levantamento feito pela Associated Press/GfK indica uma corrida apertada - 44% para Obama, 43% para McCain.Segundo analistas, esses resultados tornam remotas as possibilidades de uma vitória de McCain.ARTILHARIA PESADA Socialismo: McCain afirma que as políticas tributárias de Obama são socialistas e visam a distribuir riqueza nos EUA Terrorismo: O republicano acusa Obama de ter vínculos com o ex-ativista Bill Ayers, cujo grupo Weather Underground promoveu atentados a bomba nos EUA nos anos 60. Ayers e Obama estiveram no conselho de uma mesma entidade até dezembro de 2002, quando o senador se retirou Política externa: McCain afirma que os planos de Obama poderiam encorajar os "inimigos dos EUA" a testar o novo presidente no início de seu governo

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