Pela primeira vez, Damasco tem manifestações contra Assad

Polícia reprime passeata de milhares de pessoas na capital síria, que até então era palco de atos favoráveis ao regime

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

Pela primeira vez desde o início dos protestos na Síria, manifestantes contrários ao governo de Bashar Assad conseguiram reunir milhares de pessoas no centro de Damasco, a capital do país. As passeatas antigoverno, que ocorreram também em outras cidades, foram duramente reprimidas pelas forças de segurança.

Os manifestantes vieram de vilas nos arredores de Damasco e tentaram se concentrar em uma praça na região central da cidade. Segundo testemunhas, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes contra os dissidentes, que se dispersaram.

De acordo com a agência de notícias estatal Sana, não houve violência das tropas do regime e a sexta-feira foi um dia normal, com pequenas aglomerações. A imprensa oficial acusou grupos armados de opositores pela morte de um soldado.

Direitos humanos. Organizações árabes divulgaram ontem uma carta pedindo à Ásia que suspenda o apoio à candidatura síria para uma cadeira no Conselho de Direitos Humanos da ONU. De acordo com o documento ao qual o Estado teve acesso, a situação dos direitos humanos agravou-se na Síria após o início das manifestações, nas quais ja morreram 200 pessoas. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, voltou a pedir às autoridades sírias que parem de usar a violência para reprimir os protestos dos opositores. Os americanos impõem sanções unilaterais ao regime sírio desde 2004.

Por enquanto, agências de risco político consideram improvável que Assad seja removido no curto prazo, mas preveem um crescimento da instabilidade no país. O regime sírio, na época das manifestações que derrubaram o egípcio Hosni Mubarak, estimava que estaria imune a protestos.

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