Pela primeira vez em 5 anos, cresce o número de refugiados

São 10 milhões de refugiados sob cuidados da ONU, aumento de 14% desde 2002

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h06

O número de refugiados no mundo cresceu pela primeira vez desde 2002, em grande parte como resultado da crise no Iraque, afirma o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). No relatório sobre as Tendências Mundiais em 2006, divulgado na segunda-feira, 18, em Genebra, a agência das Nações Unidas aponta que o número de refugiados que estão sob seus cuidados chegou a dez milhões, o que representa um aumento de 14%, total mais alto dos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo, as outras categorias de pessoas atendidas em diferentes aspectos pela missão do Acnur também aumentaram agudamente, em grande parte como resultado da melhora do sistema de registro e estatísticas mais precisas. Ou seja, o aumento não é devido apenas a maior quantidade de pessoas compreendidas nos programas. "Enquanto aumenta no mundo o número de pessoas tiradas de seus locais pela perseguição, a intolerância e a violência, nós temos que enfrentar os desafios e as exigências de um mundo em transformação, além de defendermos os direitos dos refugiados e de outras pessoas sob nossos cuidados", declarou o alto comissário, o português António Guterres. De acordo com o relatório de UNHCR, o aumento no número de refugiados é devido em grande parte a situação no Iraque, que até o fim de 2006 forçou 1,5 milhão de iraquianos a procurar o refúgio em outros países, principalmente Síria e Jordão. Em 2006, o principal grupo de refugiados sob os cuidados da Acnur continua sendo formado por afegãos (2,1 milhões), seguido pelos iraquianos (1,5 milhão), sudaneses (686 mil), somalis (460 mil) e pessoas originárias da República Democrática do Congo e de Burundi (400 mil cada). Os números do Acnur não contemplam os 4,3 milhões de refugiados palestinos na Jordânia, no Líbano, na Síria e nos próprios territórios palestinos, ligados ao mandato da Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA). Se contassem essas pessoas, o total de refugiados sob os cuidados das duas agências superaria os 14 milhões. O Acnur também assiste há vários anos a deslocados internos dentro de seus próprios países. São pessoas que deixaram seus lares por falta de segurança, mas não atravessaram a fronteira. Até o fim de 2006, o número total de pessoas nesta situação era de 24,5 milhões. Como parte do esforço para atender as necessidades das pessoas que realizam deslocamentos internos, a ONU atribuiu ações específicas para cada uma das agências no ano passado. Neste contexto, as funções da Acnur são proteger, coordenar os acampamentos e abrigos de proteção e administrar a situação dos refugiados internos em alguns países, como Uganda, República Democrática do Congo, Libéria e Somália. Ao mesmo tempo, centenas de milhares de pessoas foram deslocadas em seus países por conflitos no Iraque, Líbano, Sri Lanka, Timor Leste e Sudão. Até o final do ano passado, o número de refugiados internos protegidos ou assistidos pela Acnur atingiu 13 milhões (mais da metade da população estimada de refugiados internos no mundo). Isto é quase o dobro da previsão e a maior razão para o crescimento do número de pessoas sob a proteção da agência - 21 milhões em 2005 para 33 milhões em 2006. Pessoas sem cidadania - pessoas que não têm nenhuma nacionalidade, e em casos extremos nem existem oficialmente - formam outro grupo beneficiado pela aproximação maior da Acnur com os países hospedeiros e pelas doações. O número de pessoas neste grupo chega a 5,8 milhões. O crescimento não reflete novas situações de pessoas sem cidadania, mas é o resultado da melhora dos dados.

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