Exército Israelense / AFP
Exército Israelense / AFP

Pela primeira vez, Israel admite ataque a suposto reator nuclear sírio em 2007

Segundo autoridades militares, a destruição da instalação buscava mandar uma "mensagem" contra ameaças ao país

O Estado de S.Paulo

21 Março 2018 | 03h26

O exército israelense admitiu pela primeira vez a destruição de um reator nuclear sírio conduzido por um ataque aéreo em 2007. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, 21, as autoridades militares declararam que o ataque serviu para mandar uma “mensagem” ao destruir o que consideravam uma grande ameaça a Israel.

“A mensagem enviada pelo ataque ao reator nuclear em 2007 foi que não permitiremos o estabelecimento de instalações que podem ameaçar a existência de Israel”, disse o tenente-general Gadi Eizencot em comunicado divulgado nesta quarta-feira. “Essa foi a nossa mensagem em 2007 e ela permanece a mesma até hoje e em um futuro próximo e distante.”

Além do anúncio, também foram divulgadas fotografias e vídeos que supostamente mostram o momento em que os ataque aéreos destroem a instalação de Al-Kubar, na região de Deir Zor, no leste da Síria. Os documentos foram revelados após o fim dos dez anos de vigência de uma ordem de sigilo imposta pelos militares. 

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O ataque ocorreu em setembro de 2007 quando forças militares israelenses lançaram um ataque contra um complexo usado para armamento nuclear. À época, tanto Israel quanto a Síria negaram a ocorrência do ataque, enquanto o governo americano, sob gestão do republicano George W. Bush, acusou o presidente sírio Bashar Al-Assad de construir um reator com auxílio da Coreia do Norte.

A Agência Internacional de Energia Atômica declarou , à época, que era muito provável que as instalações sírias atacadas por Isreal em 2007 se tratavam de um reator nuclear . A Síria, que é signatária do Tratado de Não-Proliferação, sempre negou que o local fosse uma instalação ou que Damasco tivesse algum tipo de cooperação nuclear com o regime norte-coreano. A versão oficial dada pelo governo sírio foi que aviões israelenses invadiram o espaço aéreo do país e despejaram munição em uma área deserta.

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A decisão de tornar público pela primeira vez e justificar o ataque ocorrido há uma década ocorre em um momento em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pede aos Estados Unidos e à comunidade internacional que adotem uma postura mais dura contra o Irã, aliado da Síria.

Netanyahu declarou que Israel não permitirá o desenvolvimento do programa nuclear iraniano “nem hoje, nem em 10 anos, nem nunca”. O premiê também é contra a construção de fábricas de mísseis iranianos na Siria, que, segundo ele, podem ameaçar Israel ou providenciar armas ao Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã. // REUTERS

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