Pela primeira vez, Kirchner admite candidatura em 2007

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, admitiu pela primeira vez que tanto ele como sua esposa, a senadora Cristina Fernández, podem ser candidatos nas eleições presidenciais de 2007."O governo terá seu candidato quando chegar a hora certa, seja ele argentino ou argentina, pingüim ou pingüina", assegurou o governante, em referência a seu apelido por ser natural do sul do país.Embora sem mencioná-lo, Kirchner falou sobre seu ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, alvo de fortes críticas por sua possível candidatura nas eleições de 2007. Grande figura por trás do renascimento da Argentina e ministro da Economia entre abril de 2002 e novembro do ano passado, Lavagna seduz dirigentes da União Cívica Radical (UCR), principal força da oposição, que pretende atraí-lo para se juntar a ela. Na semana passada, Kirchner liderou um grande ato em Buenos Aires que foi considerado o pontapé inicial para sua postulação à reeleição - que tem o apoio dos setores governistas. O chefe de Estado, que pretende formar uma coalizão de forças similar à que governa no Chile desde 1990, até agora tinha evitado falar de seu possível candidatura e chegou a afirmar que sua esposa "pode ser presidente". AnálisePara o cientista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nueva Mayoria, "o crescimento econômico é a conquista mais relevante" de Kirchner, seguida pela "reconstituição da autoridade presidencial, que tinha ficado em crise com a queda de Fernando De la Rúa (em 2001), a breve presidência de Adolfo Rodríguez Saá, quem sucedeu De la Rúa e ficou no cargo somente uma semana, e a entrega antecipada do poder por parte de Eduardo Duhalde".Entre as dívidas pendentes de Kirchner, Fraga opina que "a primeira está no campo institucional, onde a administração Kirchner não tem dado prioridade à um verdadeiro fortalecimento da divisão de poderes". Ele aponta também a falta de tolerância que o presidente Kirchner tem em relação às críticas feitas pela imprensa e pelos diversos setores do país. "A recuperação dos indicadores sociais está abaixo do crescimento econômico. Mas o mais crítico é que em 2004 e 2005, três de cada quatro crianças que vão à escola pública não chegaram ao mínimo de 180 dias de aula estabelecido por lei para uma carga horária de quatro horas", ressalta Fraga. Por último, o analista afirma que em matéria de política externa, o governo de Kirchner tem deixado a desejar. Vide a guerra das papeleiras com o Uruguai, que detonaram mal estar com a Espanha e com a Finlândia, e o conflito com o Paraguai por conta da usina Yacyretá.

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