Audu Marte / AFP
Audu Marte / AFP

Pelo menos 110 civis morrem em ataque jihadista na Nigéria

Oficiais de uma milícia pró-governo de autodefesa informaram que membros do Boko Haram 'amordaçaram' e 'massacraram' esses trabalhadores agrícolas

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2020 | 00h38

MAIDUGURI - Pelo menos 110 civis foram mortos neste sábado, 28, em um ataque a plantações de arroz na vila de Koshobe, no nordeste da Nigéria, que sofreu violência de uma insurgência jihadista por mais de uma década, de acordo com um balanço das Nações Unidas.

"Homens armados chegaram em motocicletas e realizaram um ataque brutal contra homens e mulheres que trabalhavam nos campos de Koshobe", disse o coordenador humanitário da ONU na Nigéria, Edward Kallon, em um comunicado.

“Pelo menos 110 civis foram cruelmente mortos e muitos mais ficaram feridos”, disse Kallon, classificando-o como o ataque mais sangrento contra civis neste ano naquela região.

O comunicado da ONU não menciona o grupo jihadista Boko Haram, nem sua facção dissidente, o grupo do Estado Islâmico na África Ocidental (Iswap), que multiplica a violência na região e controla uma parte do território nigeriano.

No sábado, oficiais de uma milícia pró-governo de autodefesa informaram à AFP sobre um primeiro saldo de 43 agricultores mortos. “Encontramos 43 cadáveres, todos com a garganta cortada”, disse Babakura Kolo, chefe daquela milícia, à AFP. “É sem dúvida a obra do Boko Haram que atua na região e ataca com frequência os agricultores”, acrescentou.

Membros do Boko Haram "amordaçaram" e "massacraram" esses trabalhadores agrícolas, que trabalhavam em campos de arroz não muito longe de Maiduguri, capital do estado de Borno, acrescentou.

Essas 43 vítimas foram enterradas no domingo na cidade vizinha de Zabarmari, na presença do governador de Borno, Babaganan Umara Zulum.

Entre as vítimas estavam dezenas de trabalhadores agrícolas do estado de Sokoto, cerca de mil quilômetros a oeste, que viajaram para o nordeste em busca de trabalho nos campos de arroz.

No mês passado, 22 agricultores foram mortos em seus campos perto de Maiduguri.

O presidente nigeriano Muhammadu Buhari "condenou", em um comunicado divulgado na noite de sábado, "a matança desses agricultores dedicados" por terroristas.

“O país inteiro está ferido por essas mortes sem sentido”, acrescentou.

Os habitantes classificam os jihadistas desta região sem diferenciá-los como elementos do Boko Haram, mesmo que pertençam a esse grupo ou Iswap.

Mas o grupo afiliado ao Estado Islâmico é o mais ativo na área onde estão os atacados, afirma no Twitter Bulama Bukarti, analista para a África subsaariana do Instituto Tony Blair.

Durante meses, as autoridades encorajaram os refugiados a regressarem às suas aldeias, alegando que já não é financeiramente possível cuidar deles em campos protegidos pelo exército e onde vivem com ajuda alimentar.

O ataque ocorreu no dia das eleições locais no estado de Borno, as primeiras organizadas desde o início da insurreição de Boko Haram em 2009.

Mais de 36 mil pessoas morreram em atos de violência desde o início do conflito no nordeste da Nigéria, onde mais de dois milhões de pessoas ainda não podem voltar para suas casas./AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.