Pelo menos 14 mortos em dois dias de manifestações no Quênia

Desde o dia 27 de dezembro, mais de 600 pessoas já morreram em confrontos contra reeleição de Mwai Kibaki

Agências Internacionais,

18 de janeiro de 2008 | 07h45

Ao menos 14 pessoas morreram em dois dias de manifestações contra a reeleição do presidente Mwai Kibaki, no Quênia. Nesta sexta-feira, 18, um homem foi morto com uma flecha por manifestantes da etnia Maasai, segundo informações policiais. "No total, 14 pessoas morreram", afirmou um comandante oficial, de acordo com a agência de notícias France Press. Mais de 600 pessoas já morreram desde o início dos protestos, os mais sangrentos desde uma tentativa de golpe em 1982.  Sete pessoas teriam morrido em Kisumu, região do oeste do país que faz forte oposição a Kibaki. Os outros sete mortos teriam sido assassinados em Nairóbi, a capital do Quênia. A oposição do presidente convocou três dias de manifestações e, em Nairóbi, houve confronto com a polícia. Os manifestantes desafiaram uma proibição de aglomerações públicas imposta em todo o país pela polícia, que considera os protestos "inapropriados".  Os protestos começaram na quarta-feira, 16, mas nesta sexta, líderes da oposição anunciaram que vão continuar boicotando o governo reeleito. Salim Lone, porta-voz da oposição, afirmou que a população será convocada para boicotar "empresas de pessoas próximas a Kibaki" e "organizar greves nas indústrias", mas não deu detalhes sobre as operações. A violência no Quênia, um dos países africanos mais estáveis e em crescimento, explodiu depois das eleições do dia 27 de dezembro. O pleito foi um dos mais disputados da história do país. Odinga, candidato da oposição, afirma que Kibaki forjou alguns votos e observadores internacionais também questionam a reeleição do presidente queniano. Lone, porta-voz da oposição, também afirmou que Raila Odinga - líder da oposição contra Kibaki - está aberto ao diálogo. "Estamos dispostos a negociar. Queremos paz no país", afirmou, completando que a população do país está sofrendo com os protestos.    

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