Pelo menos 25 pessoas morrem em atentados no Iraque

Cerca de 25 iraquianos morreram nesta sexta-feira, 14, em novos atentados terroristas e ações de violência sectária em diversas áreas do Iraque, onde o processo político continua estagnado devido às divergências sobre o candidato a primeiro-ministro. O ataque mais violento ocorreu no início do dia em Basra, de população majoritariamente xiita, quando um grupo de pistoleiros assassinou onze operários iraquianos um dia após seqüestrá-los. Os trabalhadores foram levados pelos seqüestradores em vários veículos até próximo a uma estação de ônibus em Basra, onde os assassinaram por volta das 7h30 (0h30 de Brasília), segundo fontes policiais que citam testemunhas. As vítimas trabalhavam para uma empresa de construção especializada na colocação de blocos de concreto ao redor das delegacias para evitar ataques terroristas. Também em Basra, situada cerca de 500 quilômetros de Bagdá e considerada a segunda cidade mais importante do Iraque, dois civis iraquianos morreram e quatro soldados britânicos ficaram feridos na explosão de uma bomba na passagem de sua patrulha, informou um porta-voz militar. Emboscada Em Tarmiya, ao norte de Bagdá, seis policiais iraquianos morreram e outros 35 teriam sido seqüestrados por rebeldes em uma emboscada colocada em uma estrada da região, segundo a Polícia. O comboio de veículos policiais, com cerca de 90 agentes, ia de Tarmiya à cidade santa xiita de Najaf, 180 quilômetros ao sul da capital, explicaram as fontes. Segundo a Polícia, depois do ataque houve um confronto que durou mais de uma hora. As fontes não precisaram o número de atacantes, mas disseram que "vários morreram" no tiroteio. Tarmiya é um dos redutos da insurgência sunita, onde ocorrem freqüentemente ataques contra patrulhas das forças de segurança iraquianas e das tropas americanas. Bombas Baquba, outra cidade sunita ao norte de Bagdá, foi também cenário de dois ataques com bombas, que explodiram quase simultaneamente enquanto os fiéis sunitas saíam de duas mesquitas dessa região após a oração do meio-dia da sexta-feira. As duas explosões mataram quatro muçulmanos sunitas e deixaram outros onze feridos, disseram as mesmas fontes. A violência sectária entre xiitas e sunitas deixou centenas de mortos, desde que em 22 de fevereiro passado houve o ataque contra um santuário venerado pelos xiitas em Samarra, ao norte da capital. Atentado suicida Também hoje, uma delegacia de Polícia da cidade setentrional de Mossul foi alvo de um atentado suicida com carro-bomba, que matou o atacante e deixou sete pessoas feridas, incluindo dois agentes. Em comunicado emitido nesta sexta, o Exército americano informou sobre a morte, na quinta-feira, de um de seus soldados durante uma "operação de combate" perto de Bagdá, e com isso sobe para 2.365 o número dos militares americanos que morreram no Iraque desde o início da invasão deste país, em 2003. Em outros três comunicados, o comando militar dos EUA anunciou a morte de quatro supostos rebeldes e a detenção de outros quatro em ataques e confrontos ocorridos ontem em Bagdá e nas cidades de Balad e Kirkuk. Nestas circunstâncias, continuam as divergências entre os políticos iraquianos sobre quem deverá formar o novo Governo, três meses depois das eleições. Os 17 grupos que formam a xiita Aliança Unida Iraquiana (AUI) - que tem 128 das 275 cadeiras do Parlamento - se reuniram várias vezes nos últimos cinco dias, mas não conseguiram decidir se escolherão outra pessoa para liderar o novo Governo, depois que seu candidato, o primeiro-ministro em final de mandato Ibrahim Al-Jaafari, foi rejeitado pelos curdos e sunitas.

Agencia Estado,

14 Abril 2006 | 18h10

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