Pelo menos 26 morrem durante votação na Síria

As forças do regime da Síria mataram 16 civis, durante confrontos e ataques realizados pelo país hoje, enquanto pelo menos 10 soldados leais ao presidente Bashar Assad também morreram, informou o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos. A violência ocorre no dia em que os sírios foram convocados para votar sobre a nova Constituição do país.

AE, Agência Estado

26 de fevereiro de 2012 | 11h39

Nove civis e quatro soldados morreram em confrontos entre tropas governistas e rebeldes na cidade de Homs, no centro do país, informou a organização não governamental (ONG). O confronto ocorreu no bairro de Hamideyeh. Bombas mataram mais três civis em áreas de Homs, acrescentou o observatório.

Na província de Alepo, no norte do país, atiradores de elite mataram um civil na cidade de Ezaz. Explosões também ocorreram na cidade de Deir Ezzor, no nordeste do país, em Hama, no centro, e na província noroeste de Idlib, onde um civil foi morto a tiros na cidade de Maarat al-Numan.

Em Deraa, província ao sul de Damasco, forças do regime mataram um civil em Alma e tropas rebeldes enfrentaram soldados em Hirak. Três membros das forças de segurança morreram em Deraa, durante ataque rebelde, enquanto dois soldados morreram baleados na vila de Dael.

Outro membro das forças de segurança foi morto a tiros e quatro ficaram feridos quando o veículo deles foi atacado na cidade de Nawa, gerando fortes disparos das forças de segurança que mataram um civil.

A oposição pediu um boicote ao voto deste domingo. Washington qualificou a votação em meio à violência como um exercício "risível" do regime de Assad. A nova Constituição acaba com a base legal para o Partido Baath controlar totalmente a política do país, o que ocorre há cinco décadas, mas mantém grandes poderes nas mãos do presidente. A oposição vê as mudanças como pequenas e exige a queda do regime, após 11 meses de repressão que deixou mais de 7.600 mortos, segundo grupos pelos direitos humanos.

Apenas no sábado, 98 pessoas foram mortas, 72 delas civis, informou o observatório. Muitas explosões eram ouvidas neste domingo em Homs, sob assalto das forças oficiais há mais de três semanas.

Mais de 14 milhões de pessoas estão aptas a votar no referendo desde domingo. A televisão estatal exigiu imagens das seções eleitorais e disse que "um grande número de eleitores" havia comparecido.

Assad divulgou os planos para a nova Constituição mais cedo neste mês, em mais um passo para reformar a política, mas sem deixar o poder. China e Rússia, que impediram sanções ao país no Conselho de Segurança da ONU, demonstraram apoio ao processo eleitoral. O novo sistema político será baseado no "pluralismo", mas proíbe a formação de partidos a partir da religião. Com o novo texto constitucional, Assad poderia em tese ficar no poder mais 16 anos. As informações são da Dow Jones.

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