Pelo menos 35 morrem em dia de eleições no Iraque

Apesar de ataques, comparecimento é alto; Obama elogia 'coragem' dos iraquianos.

BBC Brasil, BBC

07 de março de 2010 | 17h42

Pelo menos 35 pessoas morreram em uma série de explosões no Iraque neste domingo, quando os iraquianos foram às urnas em massa escolher o novo Parlamento.

Dois prédios foram destruídos em Bagdá e dezenas de morteiros foram lançados na capital e outras cidades. Esta foi a segunda eleição parlamentar no Iraque desde a queda de Saddam Hussein, em 2003.

As urnas foram fechadas às 17h (hora local, 11h em Brasília), mas as pessoas que ainda estavam na fila ainda puderam votar. Apesar da violência, havia longas filas em várias zonas eleitorais, em diversas cidades.

Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou a coragem dos eleitores iraquianos, que compareceram às urnas apesar dos ataques de insurgentes.

"Os iraquianos escolheram moldar seu futuro através do processo político", afirmou Obama em um comunicado divulgado após o encerramento da votação. "Estamos de luto por causa das trágicas perdas de vida, e honramos a coragem do povo iraquiano, que mais uma vez desafiou as ameaças para avançar na sua democracia."

Prédios destruídos

Em um dos ataques deste domingo, 25 pessoas morreram quando uma explosão destruiu um prédio residencial no norte de Bagdá, disseram as autoridades.

Vários morteiros foram lançados nesta manhã, principalmente dos bairros sunitas da capital, mas nenhum posto de votação foi atingido.

As milícias islâmicas prometeram usar a violência para atrapalhar o processo de votação - um grupo afiliado à al-Qaeda distribuiu panfletos avisando às pessoas para não comparecerem às urnas.

Mais de 500 mil integrantes das forças de segurança do Iraque foram mobilizados para tentar evitar que os atentados interrompessem as eleições.

No sábado, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki pediu aos eleitores que comparecessem em massa, afirmando que a ampla participação fortaleceria a democracia.

Novo Parlamento

Cerca de 19 milhões de iraquianos estavam habilitados a votar nos candidatos de 86 facções que disputam as 325 cadeiras do novo Parlamento.

Apesar da violência deste domingo, a comissão eleitoral independente do Iraque afirmou que apenas dois dos 50 mil postos de votação foram fechados por curtos períodos em todo o país, por conta de preocupações com a segurança.

A última eleição parlamentar, de 2005, elegeu o premiê Nouri al-Maliki com os partidos xiitas dominando a casa, e a expectativa é de que ele mantenha o cargo.

A questão é se ele vai conseguir atrair a minoria sunita para seu governo e fazer com que eles sintam que têm voz sobre o futuro político do Iraque.

O presidente Jalal Talabani, que busca um novo mandato, foi um dos primeiros a votar neste domingo, na cidade curda de Sulamaniyah. Ele afirmou que as eleições marcam um passo e um teste para a marcha iraquiana em direção à democracia.

Em uma rara aparição pública, o clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr, falando no Irã, pediu aos iraquianos que comparecessem às urnas e rejeitassem a violência.

As eleições deste domingo são vistas como um teste crucial para o processo de reconciliação nacional do Iraque, antes da retirada dos militares americanos.

O presidente Obama planeja retirar as forças de combate do país até meados deste ano, e a expectativa é de que todos os militares americanos deixem o Iraque até o fim de 2011.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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