Pelo menos 6 mil fogem de onda xenófoba na África do Sul

Ataques contra estrangeiros já deixou ao menos 22 mortos; mais de 260 foram presos em Johanesburgo

BBC,

19 de maio de 2008 | 14h55

Cerca de 6 mil pessoas fugiram da onda de ataques contra estrangeiros na África do Sul, que já pelo menos deixou 22 mortos, informaram as equipes de ajuda humanitária nesta segunda-feira, 19. "É uma clássica situação de refugiados", disse Rachel Cohen da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) à rede BBC. Veja também:Violência xenófoba mata pelo menos 22 na África do Sul Muitas dessas pessoas, que procuram se refugiar em delegacias, prefeituras e igrejas, vieram do Zimbábue, fugindo da violência e pobreza que encontravam em casa. Estima-se que cerca de 3 milhões de zimbabuanos estejam na África do Sul.  Caroline Hawley, correspondente da BBC na capital Johanesburgo, disse que os imigrantes tornaram-se bodes expiatórios de problemas sociais como desemprego, altos índices de criminalidade e falta de moradias. A onda de distúrbios se intensificou no domingo, quando foram registradas 11 mortes somente na região de East Rand, no leste de Johanesburgo, e outra em Alexandra, segundo a imprensa local. Neste final de semana, mais de 260 pessoas foram presas na capital, de acordo com a polícia. A maioria delas estava envolvidas em revoltas. "Tudo isso é bastante grave, há mais de seis mil deslocados e distúrbios por toda a cidade", declarou o porta-voz da MSF, Eric Goemaere, que classificou a situação como uma "crise humanitária." O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, condenou o surto xenofóbico, enquanto o governo pediu para que os serviços de inteligência investiguem quem está por trás dos ataques. "Não podemos permitir que a África do Sul se torne um exemplo famoso de xenofobia", disse Mbeki.  A Fundação Nelson Mandela se uniu nesta segunda à África do Sul para lamentar as agressões. "A violência sem sentido não é a solução", declarou o diretor-gerente da Fundação, Achmat Dangor. 'Estado de emergência' Uma igreja que servia de abrigo para cerca de mil zimbabuanos foi atacada durante o fim de semana. O bispo Paul Veryn,da Igreja Metodista, disse que a situação "está se tornando tão séria que a polícia não consegue mais controlá-la. Ele pediu que seja declarado estado de emergência. Os ataques contra estrangeiros começaram na semana passada em Alexandra, ao norte de capital, antes de se espalhar pelo centro e região de Gauteng. Desde o fim do apartheid, emigrantes da África mudaram-se para o país atraídos por sua relativa prosperidade.

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