Pelo menos 800 europeus lutam na Síria, diz relatório

Alemanha, Bélgica e França estão entre as principais origens dos combatentes da Europa em território sírio

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2013 | 02h03

Dados da Comissão Europeia mostram que serviços de inteligência e diplomacias de países da Europa já identificaram a presença de mais de 800 europeus lutando na Síria ao lado da oposição nos últimos 12 meses e, segundo o estudo, parte deles estaria nas alas mais radicais dos dissidentes. Segundo a UE, existiriam hoje mais de 1,4 mil grupos armados de oposição na Síria, o que transforma o trabalho de unir os dissidentes uma tarefa cada vez mais difícil.

Nas últimas semanas, a UE vem fazendo um esforço para convencer a oposição síria a unir-se e permitir que uma conferência ocorra em Genebra em junho, sobre como a comunidade internacional e dissidentes poderão pôr fim à guerra.

Bruxelas pediu que cada um dos 27 governos europeus tentasse estimar quantos de seus cidadãos estariam lutando na Síria. Com base em informações de serviços de inteligência, a constatação foi que o número seria bem maior do que a própria UE imaginava.

Os combatentes são, em sua maioria, jovens muçulmanos que nasceram na Europa e optaram por lutar contra o regime de Bashar Assad.

Países como Alemanha, Bélgica e França estariam entre as principais origens de combatentes para a jihad na Síria.

Mas a constatação é que existem também dinamarqueses, espanhóis e britânicos. Um dos aspectos do recrutamento desses jovens é justamente o fato de que, por serem europeus, têm ampla mobilidade para passar de um país para o outro sem a necessidade de vistos.

Diversidade. Outra constatação da Europa é que, diante da diversidade dos perfis desses combatentes, fica clara a proliferação de grupos armados atuando no interior da Síria. "Temos identificado 1,4 mil grupos armados na Síria", declarou em Genebra Kristalina Georgieva, espécie de superministra da Europa para Ajuda Humanitária.

Desse total, ela aponta que existem pelo menos 84 grupos fortemente armados. "Não há um final à vista. Isso é o pior. Nossos piores cenários estão sendo superados", declarou. Ela também admite que é "difícil que as partes se sentem à mesa de negociações com tanto sangue". Mas insiste que apenas uma solução política pode acabar com o conflito. "Vimos que dar mais armas apenas aprofundou a crise", declarou.

Parte dessa conclusão ainda está ligada à radicalização dos grupos. Outra constatação é que, diante da violência, já há fortes temores entre os governos da Europa de que esses combatentes europeus retornem a seus países de origem ainda mais extremistas e dispostos a montar células terroristas no continente.

Não por acaso, os serviços de inteligência na Europa estão atentos aos europeus que retornam da região.

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