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Pelo menos 98 morrem em queda de avião na Indonésia

Avião militar com mais de 100 a bordo cai em plantação de arroz; pelo menos 15 pessoas ficaram feridas

20 de maio de 2009 | 01h39

   Pelo menos 98 pessoas morreram na queda de um avião militar com mais de cem pessoas a bordo no fim da noite de terça-feira, 19, (horário de Brasília) na ilha indonésia de Java. O aparelho, um Hércules C-130 que decolou de Jacarta, transportava 96 passageiros e 13 tripulantes que participavam de uma missão rotineira de treinamento. Até o momento, não se sabe o que levou a aeronave a perder altura e bater em quatro imóveis antes de aterrissar em um arrozal na província de Java Oriental.

 

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Imagens de televisão mostraram soldados com macas tentando retirar os feridos do local do acidente, que seria de difícil acesso por estar próximo a uma plantação de arroz. O chefe da base militar de Magetan, Bambang Samudro, afirmou à Associated Press que entre os 98 mortos estão duas vítimas que estavam no solo, e que outras 15 pessoas foram feridas. A maioria dos feridos sofreu queimaduras graves. Entre os 96 tripulantes estão dez crianças. A maioria dos ocupantes era de integrantes da Força Aérea indonésia, alguns dos quais viajavam com suas famílias.

 

Ainda não se sabe a causa do acidente. De acordo com as primeiras investigações, o piloto obteve a autorização para decolar da torre de controle. Vários moradores da área relataram para rádios locais que escutaram uma forte explosão e que, logo em seguida, uma das asas se desprendeu da aeronave, que então começou a voar baixo sobre um grupo de casas antes de explodir e se partir em dois ao cair no meio de um arrozal. Uma fonte militar revelou à Efe que o Hércules que caiu está em atividade desde a década dos 70.

 

 

 

Segundo a BBC, diversos acidentes foram registrados com aeronaves da Força Aérea, incluindo o de um Fokker 27, que caiu sobre um hangar de aeroporto no mês passado, matando todas as 24 pessoas a bordo. No último dia 10 de maio, outro Hercules da Força Aérea sofreu um acidente na pista de pouso de um aeroporto na província de Papua. Uma pessoa ficou ferida. Como resposta, a Força Aérea do país afirmou que checaria toda a sua frota de aviões Hercules. A maioria dos aviões deste modelo, muitos de segunda mão, foi adquirida entre 1960 e 1975.

 

Sete acidentes aéreos - com um total de 37 mortes - foram registrados nos últimos dois meses na Indonésia, um país no qual a média destes incidentes é de 2,1 por cada milhão de voos. Já há quase 20 anos, a Força Aérea indonésia sofre com a falta de recursos financeiros e de peças de reposição. Tanto os altos comandantes, quanto o governo, admitem que é necessário um forte investimento para modernizar sua obsoleta frota.

Em 1999, os Estados Unidos impuseram à Indonésia um embargo de fornecimento de material de defesa alegando que o país não cumpriu seu compromisso de velar pela segurança do Timor-Leste durante o processo consultivo para a independência do território.

A falta de segurança no setor aéreo indonésio se estende à aviação civil, admitem as autoridades locais por causa dos sete acidentes com aviões de gravidade distinta que ocorreram nos últimos três meses e que vitimaram 128 pessoas.

Desde 2007, a Indonésia sofreu uma série de acidentes aéreos que mataram quase 200 pessoas e levaram a Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) a incluir as companhias aéreas do país asiático na "lista negra" de empresas que são proibidas de sobrevoar o espaço aéreo comunitário por descumprir a normativa de segurança. Dois anos após adotar a medida, Bruxelas elogiou os esforços dos indonésios para melhorar a segurança aérea, mas mantém o veto às companhias aéreas de um país cujo índice de acidentes no ar é de 2,1 por cada milhão de voos.

 

Texto atualizado às 7h30.

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